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Caso Bruno

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Caso Bruno: advogado abandona defesa de Macarrão

12 mar 2012 - 12h49
(atualizado às 13h48)
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Ney Rubens
Direto de Belo Horizonte

O advogado Wasley César Vasconcelos, que defendia Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, no processo sobre o desaparecimento de Eliza Samudio, ex-amante do goleiro Bruno Fernandes, decidiu deixar a defesa de seu cliente no final da manhã desta segunda-feira. Vasconcelos afirmou que a decisão é porque não concorda com a suposta pressão que Macarrão está sofrendo para assumir a autoria do crime.

Confira o especial sobre 1 ano do caso

Veja a cronologia

O advogado encaminhou, por fax, à Justiça um termo onde renuncia ao cargo. No documento, ele afirma que o motivo de sua decisão é de "foro íntimo" e "particular". Questionado se sua saída foi motiva pela pressão que Macarrão estaria sofrendo do goleiro e sua defesa para que ele assuma o crime, o defensor respondeu "provavelmente", mas não quis dar detalhes, já que fazendo isso estaria infringindo o código de ética de sua profissão.

Mais cedo, o advogado afirmou ao Terra que já esperava que a defesa do goleiro tentasse culpar seu cliente pelo crime. De acordo com reportagem publicada hoje pelo jornal Folha de S.Paulo, Rui Caldas Pimenta, advogado de Bruno, culpou Macarrão pela morte, ainda não constata pela Justiça, de Eliza. Segundo o defensor, teria sido ele, e não Bruno, o mandante do crime.

"A gente esperava desde o início essas declarações para jogar a culpa no Macarrão. A única coisa que vou fazer sobre isso é tentar desmembrar o julgamento, justamente para evitar essas contaminações. Ele já está preso há um longo tempo, pegando cadeia por coisa que não fez", disse o advogado ao Terra, momento antes de deixar o caso.

O Terra tentou contato com Pimenta, mas o advogado não foi localizado.

O caso Bruno

Eliza desapareceu no dia 4 de junho de 2010 quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano anterior, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, então com 4 meses, estava lá. A mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno foi apontado como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação de uma namorada do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.

No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão por cárcere privado, lesão corporal e constrangimento ilegal, e seu amigo, três anos de reclusão por cárcere privado. Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio Rosa Sales e Bola serão levados a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson também irão a júri popular, mas por sequestro e cárcere privado. Além disso, a juíza decidiu pela revogação da prisão preventiva dos quatro. Flávio, que já havia sido libertado após ser excluído do pedido de MP para levar os réus a júri popular, foi absolvido. Além disso, nenhum deles responderá pelo crime de corrupção de menores.

Macarrão é um dos acusados do sumiço de Eliza Samudio
Macarrão é um dos acusados do sumiço de Eliza Samudio
Foto: Ney Rubens / Especial para Terra
Fonte: Especial para Terra
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