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Novo Desenrola: governo Lula planeja R$ 15 bi para comprar dívidas dos bancos e aliviar bolso das famílias

Medida foi anunciada com a proibição das plataformas de apostas online, em mais uma iniciativa dentro do esforço do petista para atrair votos

25 set 2026 - 20h01
(atualizado às 20h37)
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Resumo
O governo Lula anunciou o Desenrola 3.0, planejado para comprar diretamente dos bancos cerca de R$ 150 bilhões em dívidas com descontos de até 90%, investindo até R$ 15 bilhões. O programa visa beneficiar até 15 milhões de pessoas com débitos em atraso de dois a quatro anos e meio no cartão de crédito e no crédito pessoal. Os leilões devem começar em novembro, com repasse dos descontos às famílias, que poderão quitar os valores restantes à vista ou parcelados a partir de fevereiro.
Lula assina medida provisória em frente a banner escrito "Desenrola"
Lula assina medida provisória em frente a banner escrito "Desenrola"
Foto: Reuters / BBC News Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta sexta-feira (25/9) uma nova edição do programa Desenrola, para reduzir o endividamento das famílias.

A medida foi anunciada junto com a proibição das plataformas de apostas online, um "pacote" visto por analistas como um esforço do petista para atrair votos, às vésperas de uma eleição extremamente disputada contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).

O novo programa, batizado de Desenrola 3.0, será diferente das edições anteriores, em que os beneficiários podiam negociar seus débitos com os bancos.

Dessa vez, o governo vai negociar diretamente com as instituições financeiras a compra de dívidas da população. O objetivo é comprar essas carteiras com grandes descontos, pagando uma parcela pequena do seu valor, e assim liberar o orçamento das famílias endividadas.

"É um Desenrola melhor do que os outros Desenrola. É importante notar isso porque, no outro Desenrola, as pessoas tinham que individualmente procurar o banco [para negociar]. Agora, é o governo que vai comprar dívida e vai acertar a vida das pessoas", disse Lula.

O ministro do Planejamento e Orçamento do Brasil, Bruno Moretti, disse que o leilão para compra das dívidas será realizado a partir de novembro, ou seja, após as eleições de outubro.

Durante o anúncio, o governo não explicou o que acontecerá com a dívida comprada — se ela será cobrada dos devedores ou perdoada. No entanto, um cronograma divulgado depois indica que o processo de aquisição das dívidas só deve ser concluído em fevereiro, quando o valor restante da dívida poderá ser quitado à vista ou parcelado.

A expectativa do governo é alcançar até 15 milhões de pessoas. O foco serão famílias com dívidas em atraso de dois anos a quatro anos e meio, já que, após cinco anos, esses débitos já prescrevem.

Entrarão no programa dívidas no cartão de crédito, nas modalidades parcelada e rotativa, e os empréstimos no crédito pessoal (menos os consignados com desconto em folha).

Segundo Moretti, a carteira de dívidas alcançadas pelo programa soma R$ 300 bilhões e o governo espera retirar do mercado metade disso.

A projeção é que o governo consiga comprar as dívidas pagando apenas 10% do seu valor ou até menos que isso. Com isso, projeta, seria possível comprar R$ 150 bilhões em dívidas por cerca de R$ 15 bilhões ou menos.

"Para se ter uma ideia, hoje faz-se mais ou menos R$ 50 bilhões por ano dessas operações de compra de dívida. Então, você está multiplicando isso por três, quer dizer, procurando alcançar R$ 150 bilhões de dívidas e dando descontos de 90% nessas dívidas, a depender dos leilões que serão realizados. E, é claro, esses descontos serão repassados diretamente às famílias, àqueles que têm a dívida", disse o ministro.

O governo ainda não detalhou como será a operação financeira para compra dessas dívidas. Segundo um texto divulgado após o anúncio, "a operacionalização poderá contar com a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, inclusive por meio de fundos de investimento em direitos creditórios (FIDC) dos quais a União participará como cotista".

De acordo com o governo, as duas primeiras fases do programa alcançaram 25 milhões de pessoas. Na primeira, foram R$ 53 bilhões em dívidas renegociadas, enquanto a segunda movimentou mais R$ 22 bilhões.

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