No 'Davosito', Lula busca fortalecer presença brasileira na América Latina
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viaja nesta terça-feira para o Panamá, onde será o convidado de honra do Fórum Econômico Internacional da América Latina, organizado pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe e o governo do Panamá. É uma viagem curta, mais com mais de um objetivo, na verdade: um regional e outro bilateral. Esta é a primeira visita do brasileiro ao país no atual mandato e faz parte da estratégia do Palácio do Planalto de intensificar as relações com todas as nações da região, independentemente de posições ideológicas.
Vivian Oswald, correspondente da RFI no Rio de Janeiro
Lula será o segundo a discursar depois do presidente panamenho, José Raul Mulino. Durante o Fórum, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, deve assinar o Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos, que vai estabelecer as regras de proteção de investimentos panamenhos no Brasil, e vice-versa. O Brasil tem um estoque de US$ 9,5 bilhões em investimentos no Panamá, que é o sétimo maior destino de investimentos brasileiros no exterior.
O encontro, que está sendo chamado de a "Davos da América Latina", ou "Davosito" nos círculos mais restritos, acontece uma semana depois do Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, dominado pelas ameaças de Donald Trump à Groenlândia. Lula não foi.
Integração regional
No Panamá que o brasileiro pretende enfatizar a necessidade de mais integração regional em momento simbólico, após o ataque dos EUA à Venezuela e às políticas expansionistas americanas. Ele, contudo, não deve mencionar diretamente o país vizinho na cerimônia. Mas diplomatas no seu entorno não descartam que acabe fazendo comentários à imprensa.
Entre os temas a serem debatidos no fórum estão os papéis econômico da região, em especial com relação ao setor privado, infraestrutura e desenvolvimento, além de inteligência artificial, comércio, energia, mineração e segurança alimentar.
Outro assunto é o da segurança, sobretudo no que se refere ao combate ao crime organizado - tema que se tornou tema sensível na região, depois de ser usado pela administração Trump para atacar a Venezuela e pressionar países vizinhos.
Reforço das relações bilaterais
Desde 2024, Lula e o homólogo panamenho Mulino, que é de direita, já tiveram cinco encontros bilaterais. A relação entre os dois países, tem se incrementado nos últimos anos. O intercâmbio comercial entre Brasil e Panamá teve um aumento histórico de 78% em 2025, ficando em US$ 1,6 bilhão. Tiveram destaque as exportações brasileiras de petróleo e derivados.
O Brasil é o 15º maior usuário do Canal do Panamá, por onde passam, segundo informações oficiais, 7 milhões de toneladas de produtos brasileiros. O Mercosul também está na pauta. Lula e Mulino devem tratar dos próximos passos para uma maior integração do Panamá ao Mercosul. Hoje, é um país associado, o primeiro da América Central.
Lula ainda terá bilaterais com outros líderes de países latino-americanos. A agenda ainda não está fechada, mas há expectativa de que se encontre com os recém-eleitos presidentes de direita do Chile, José Antonio Kast, e da Bolívia, Rodrigo Paz, a quem pretende convidar para vir ao Brasil.
Lula termina a agenda com uma visita ao Canal do Panamá, onde os líderes presentes farão a foto oficial do encontro. Também estão confirmadas as participações do Fórum de Daniel Noboa, presidente do Equador, da primeira-ministra de Barbados, Mia Mottley, e do primeiro-ministro da Jamaica, Andrew Holness. As bilaterais acontecerão no Palácio de Las Garzas, sede do governo panamenho.