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No 'Davosito', Lula busca fortalecer presença brasileira na América Latina

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viaja nesta terça-feira para o Panamá, onde será o convidado de honra do Fórum Econômico Internacional da América Latina, organizado pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe e o governo do Panamá. É uma viagem curta, mais com mais de um objetivo, na verdade: um regional e outro bilateral. Esta é a primeira visita do brasileiro ao país no atual mandato e faz parte da estratégia do Palácio do Planalto de intensificar as relações com todas as nações da região, independentemente de posições ideológicas.

27 jan 2026 - 07h28
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Vivian Oswald, correspondente da RFI no Rio de Janeiro

Lula será o segundo a discursar depois do presidente panamenho, José Raul Mulino. Durante o Fórum, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, deve assinar o Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos, que vai estabelecer as regras de proteção de investimentos panamenhos no Brasil, e vice-versa. O Brasil tem um estoque de US$ 9,5 bilhões em investimentos no Panamá, que é o sétimo maior destino de investimentos brasileiros no exterior.

O encontro, que está sendo chamado de a "Davos da América Latina", ou "Davosito" nos círculos mais restritos, acontece uma semana depois do Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, dominado pelas ameaças de Donald Trump à Groenlândia. Lula não foi.

Integração regional

No Panamá que o brasileiro pretende enfatizar a necessidade de mais integração regional em momento simbólico, após o ataque dos EUA à Venezuela e às políticas expansionistas americanas. Ele, contudo, não deve mencionar diretamente o país vizinho na cerimônia. Mas diplomatas no seu entorno não descartam que acabe fazendo comentários à imprensa.

Entre os temas a serem debatidos no fórum estão os papéis econômico da região, em especial com relação ao setor privado, infraestrutura e desenvolvimento, além de inteligência artificial, comércio, energia, mineração e segurança alimentar.

Outro assunto é o da segurança, sobretudo no que se refere ao combate ao crime organizado - tema que se tornou tema sensível na região, depois de ser usado pela administração Trump para atacar a Venezuela e pressionar países vizinhos.

Reforço das relações bilaterais

Desde 2024, Lula e o homólogo panamenho Mulino, que é de direita, já tiveram cinco encontros bilaterais. A relação entre os dois países, tem se incrementado nos últimos anos. O intercâmbio comercial entre Brasil e Panamá teve um aumento histórico de 78% em 2025, ficando em US$ 1,6 bilhão. Tiveram destaque as exportações brasileiras de petróleo e derivados.

O Brasil é o 15º maior usuário do Canal do Panamá, por onde passam, segundo informações oficiais, 7 milhões de toneladas de produtos brasileiros. O Mercosul também está na pauta. Lula e Mulino devem tratar dos próximos passos para uma maior integração do Panamá ao Mercosul. Hoje, é um país associado, o primeiro da América Central.

Lula ainda terá bilaterais com outros líderes de países latino-americanos. A agenda ainda não está fechada, mas há expectativa de que se encontre com os recém-eleitos presidentes de direita do Chile, José Antonio Kast, e da Bolívia, Rodrigo Paz, a quem pretende convidar para vir ao Brasil.

Lula termina a agenda com uma visita ao Canal do Panamá, onde os líderes presentes farão a foto oficial do encontro. Também estão confirmadas as participações do Fórum de Daniel Noboa, presidente do Equador, da primeira-ministra de Barbados, Mia Mottley, e do primeiro-ministro da Jamaica, Andrew Holness. As bilaterais acontecerão no Palácio de Las Garzas, sede do governo panamenho.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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