Script = https://s1.trrsf.com/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Brasil

Publicidade

'Nem Lula nem Bolsonaro têm projeto para futuro do Brasil', diz Matarazzo

Empresário reforçou importância da manutenção das relações com UE

2 out 2026 - 13h52
(atualizado às 14h04)
Compartilhar
Exibir comentários
Resumo
Andrea Matarazzo, vice-presidente da Fiesp, criticou as candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro, afirmando que ambos carecem de planejamento para o país e focam em ideologias passadas. Para o empresário, o Brasil precisa de segurança jurídica, responsabilidade fiscal e controle inflacionário a fim de atrair investimentos externos. Ele também destacou a importância vital do acordo Mercosul-União Europeia e de parcerias com a indústria europeia para impulsionar a economia nacional.

O empresário, ex-ministro, ex-embaixador do Brasil na Itália e vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Andrea Matarazzo, não vê "futuro" nas campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) para a presidência da República.

Matarazzo ao lado de Tajani durante encontro na Fiesp
Matarazzo ao lado de Tajani durante encontro na Fiesp
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

"Nem Lula nem Flávio têm um plano sério para o Brasil: não há visão de futuro, apenas ideologias do passado", afirmou, à ANSA, Matarazzo, cuja família está entre as mais influentes do país - um de seus antepassados, o conde Francesco Matarazzo, ficou conhecido como o "Rockefeller da América Latina" por ter construído um vasto império econômico.

"Hoje, a disputa é entre alguém que não sabe nada sobre governo, não tem experiência e, para dizer o mínimo, tem um passado muito nebuloso", disse o empresário, referindo-se ao filho do ex-chefe de Estado Jair Bolsonaro.

"O outro [Lula] tem 80 anos e já foi presidente três vezes, mas nunca trabalhou na gestão das finanças públicas. Eles não disseram o que farão: não há programa, apenas muita ideologia", acrescentou Matarazzo, dizendo ser "uma pena" tal contexto.

"O Brasil deveria aproveitar as grandes oportunidades que tem pela frente", reforçou o ex-ministro.

"Em um momento de grandes mudanças, poderíamos desempenhar um papel significativo, mas não conseguimos fazê-lo porque ninguém está discutindo o futuro do Brasil; falta planejamento", observou Matarazzo, que não tem uma solução pronta, mas afirma que seria crucial enviar sinais claros ao mercado em duas frentes.

"A prioridade número um é garantir estabilidade e segurança jurídica reais. Hoje, não há confiança no sistema de justiça, nem internamente nem no exterior. Portanto, deveríamos trabalhar no equilíbrio das finanças públicas: somente assim será possível manter a inflação sob controle e as taxas de juros baixas", afirmou.

"Embora não haja problemas atuais relacionados à inflação ou ao emprego, precisamos nos empenhar constantemente para melhorar a imagem e a credibilidade do país. A economia apresenta um bom desempenho, mas, sem uma visão de longo prazo sólida e séria, corremos o risco de nos distanciar do mundo desenvolvido e perder investimentos estrangeiros", prosseguiu Matarazzo, frisando que "eleição após eleição, continuamos a ser vistos como um país problemático".

Nesse contexto, a relação entre Brasil e Europa ? e o acordo União Europeia-Mercosul ? é crucial.

"Quem quer que vença deve seguir por esse caminho. Imagino que os Estados Unidos possam pressionar [o presidente argentino Javier] Milei a frear o acordo, mas, para o Brasil, manter uma relação muito forte com o mercado europeu é vital, tanto para a nossa indústria quanto para a agricultura", falou Matarazzo. "Também é essencial para a importação de tecnologia da Europa, por exemplo, por meio de joint ventures com pequenas e médias empresas italianas", acrescentou o empresário, mencionando que a UE também teme que uma eventual vitória de Bolsonaro possa aproximar o Brasil dos EUA em detrimento da UE.

"O problema não é a aproximação com os EUA. O que não podemos aceitar é a subordinação aos EUA. As elites industriais brasileiras estão cientes da importância de manter uma relação sólida com a UE, e com a Itália em particular", pontuou o ex-embaixador.

Recentemente, o vice-premiê e ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, acompanhado pela Confindustria, "foi um convidado muito bem-vindo na Fiesp", uma espécie de Confindustria brasileira, representando 60% da indústria do país.

"Ele pôde constatar o nosso forte interesse em estreitar ainda mais a colaboração com empresas italianas. O Brasil precisa de maior liberdade para empreender, bem como de redução das taxas de juros, da dívida pública e da carga tributária", concluiu Matarazzo. 

Ansa - Brasil
Compartilhar
TAGS

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra