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Navio grego é suspeito de ter vazado óleo no Nordeste

1 nov 2019
12h16
atualizado às 12h17
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Investigação da Polícia Federal aponta que vazamento teria começado a 700 quilômetros da costa brasileira. Fonte seria embarcação de bandeira grega, que transportava petróleo venezuelano com destino à África.A Polícia Federal deflagrou, nesta sexta-feira (01/11), uma operação que trata um navio de bandeira grega como o principal suspeito de ser a fonte do vazamento de óleo que atinge, desde setembro, o Nordeste brasileiro e já contaminou mais de 250 praias.

Manchas de petróleo em praia de Aracaju
Manchas de petróleo em praia de Aracaju
Foto: DW / Deutsche Welle

Os investigadores da PF dizem terem conseguido achar a localização da mancha inicial de petróleo em águas internacionais, a aproximadamente 700 quilômetros da costa brasileira.

A partir da localização da mancha inicial - o derramamento teria ocorrido entre os dias 28 e 29 de julho - foi possível identificar o único navio petroleiro que navegou pela área suspeita.

Por meio do uso de técnicas de geointeligência e cálculos oceanográficos regressivos, chegou-se então a um navio de bandeira grega, que transportava óleo proveniente do terminal San José, na Venezuela, com destino à África do Sul.

"Imagens de satélite... apontam esse navio como principal suspeito", afirmou em nota a Marinha brasileira.

A Marinha disse ainda que o óleo coletado nas praias do litoral nordestino foi submetido a análises em laboratórios que comprovaram ser originário de campos petrolíferos da Venezuela.

Estudos feitos pela Petrobras e pela Universidade Federal da Bahia já haviam apontado que o óleo que chegou à costa do Nordeste foi produzido na Venezuela.

A Marinha contesta categoricamente, além disso, um estudo da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) que sugeriu que as manchas de petróleo podem ter origem em um grande vazamento abaixo da superfície do mar.

As investigações da PF tiveram início em meados de setembro deste ano e ocorreram em ação integrada com a Marinha do Brasil, o Ministério Público Federal, o Ibama, Agência Nacional do Petróleo, a Universidade Federal da Bahia, Universidade de Brasília e Universidade Estadual do Ceará. Uma empresa privada do ramo de geointeligência também colaborou.

"O navio grego está vinculado, inicialmente, à empresa de mesma nacionalidade, porém ainda não há dados sobre a propriedade do petróleo transportado pelo navio identificado, o que impõe a continuidade das investigações", afirmou a PF em comunicado.

Nesta sexta-feira, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão na cidade do Rio de Janeiro, expedidos pela 14ª Vara Federal Criminal de Natal/RN, em sedes de representantes e contatos da empresa grega no Brasil.

Não há informações sobre quem seria o responsável pelo petróleo abastecido na Venezuela. Foram solicitadas diligências adicionais à Interpol para buscar dados adicionais sobre a embarcação, tripulação e empresa responsável.

O Ministério Público Federal (MPF) afirmou, em comunicado, que a embarcação investigada pela PF ficou quatro dias retida nos Estados Unidos devido a "incorreções de procedimentos operacionais no sistema de separação de água e óleo para descarga do mar".

Segundo o MPF, "há fortes indícios de que a (empresa), o comandante e tripulação do navio deixaram de comunicar às autoridades competentes acerca do vazamento/lançamento de petróleo cru no Oceano Atlântico".

O último boletim do Ibama, da quinta-feira última, indica que 286 locais em 98 cidades do Nordeste foram atingidos pelas manchas de óleo.

As manchas de óleo de origem desconhecida que atingem o litoral do Nordeste desde setembro começaram a aparecer na região de Abrolhos, que abriga o arquipélago homônimo, no sul da Bahia, e a maior biodiversidade marinha de todo o Atlântico Sul. Especialistas preveem uma catástrofe ambiental se o óleo chegar até ali.

A ONG Conservação Internacional relata ter encontrado óleo, nesta semana, em Canavieiras, Belmonte e Santa Cruz de Cabrália, na região de Abrolhos, que engloba o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos e compreende os ecossistemas marinhos e costeiros entre a foz do Rio Jequitinhonha, em Canavieiras (BA), e do Rio Doce, em Linhares (ES), além dos bancos marinhos de Abrolhos e de Royal Charlotte.

Criado em 1983, o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos abriga as cinco ilhas do arquipélago e ainda não foi atingido pelas manchas de óleo. A área é rica em corais e o principal berçário de baleias jubarte da costa brasileira. O turismo e a pesca na região são fonte de renda para cerca de 100 mil pessoas.

RPR/ots

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