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Lula diz que visitar Museu do Holocausto é quase obrigatório

16 mar 2010 - 08h03
(atualizado às 10h11)
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Guila Flint e Silvia Salek

Em visita ao Museu do Holocausto, em Jerusalém, nesta terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que conhecer o local era essencial para qualquer chefe de Estado do mundo. Em seu último dia de viagem oficial a Israel, Lula esteve no centro que foi erguido em Jerusalém para homenagear os 6 milhões de judeus mortos durante a 2ª Guerra Mundial.

O presidente brasileiro Luiz Inacio Lula Da Silva deposita coroa de flores no memorial do Holocausto, em Jerusalém
O presidente brasileiro Luiz Inacio Lula Da Silva deposita coroa de flores no memorial do Holocausto, em Jerusalém
Foto: AFP

"Eu acredito que a visita ao Museu do Holocausto deveria ser quase obrigatória a todo ser humano que quer governar uma nação", disse o presidente na saída do local. "A humanidade deve repetir todos os dias, quantas vezes for necessário: 'nunca mais, nunca mais, nunca mais'", afirmou Lula.

Depois da visita ao museu, o presidente brasileiro participou de um plantio de uma árvore no Bosque de Jerusalém. O próximo passo de sua agenda é um encontro com representantes das sociedades civis israelense e palestina.

Recusa polêmica
A ida ao museu ocorreu no mesmo dia em que a chancelaria israelense havia programado uma visita ao túmulo de Theodor Herzl, fundador do movimento sionista cujo aniversário de 150 anos está sendo celebrado pelo governo de Israel. O fato de a comitiva brasileira ter rejeitado o convite gerou duras críticas de alguns setores da sociedade israelense. Segundo a imprensa local, por causa da recusa de Lula, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, teria boicotado o discurso que o presidente brasileiro fez no Parlamento.

O chanceler também boicotou um encontro entre Lula e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Lieberman, líder do partido ultra-nacionalista Yisrael Beitenu (Israel, nosso lar, em tradução livre), é conhecido por suas posições duras com relação ao Irã e à Palestina. O chanceler ainda não se pronunciou oficialmente sobre o episódio.

No entanto, o chefe do protocolo do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Yitzhak Eldan, conversou com a BBC Brasil na saída da visita de Lula ao Museu do Holocausto.

"Apreciamos o fato de o presidente ter vindo ao museu e plantado uma árvore em seu bosque. Mas nada substitui a visita ao túmulo de Theodor Herzl", declarou Eldan.

O embaixador disse, porém, que o episódio do túmulo não afetava o resultado final da viagem de Lula.

"Não diria que isso comprometeu o sucesso da visita. Houve muitos aspectos positivos, mas há ainda muitas pontes a serem construídas nessa relação. Esperamos que a passagem de Lula pelo museu faça o presidente entender melhor a nossa posição", afirmou. No dia anterior, Eldan havia definido como "lamentável" o fato de o governo brasileiro ter recusado o convite de Israel para visitar o túmulo de Herzl. Porém, disse ele, o governo israelense não queria insistir no assunto para não comprometer "o sucesso da visita".

Repercussões
O incidente já está causando repercussão em alguns setores da sociedade israelense. Em entrevista à BBC Brasil, o porta-voz da Agência Judaica, Michel Jankelowitz, classificou de "insulto" a recusa do convite. "Lula entraria para a história como o primeiro chefe de Estado a se recusar a prestar essa homenagem a Israel", disse. Para ele, a decisão compromete as ambições do governo brasileiro de participar das negociações de paz no Oriente Médio. Lula tenta lançar o Brasil como mediador numa eventual retomada do processo de paz entre israelenses e palestinos, que está congelado desde dezembro de 2008.

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