Empresário agredido por segurança de quiosque desabafa: 'Poderia ser fatal'
Caso ocorreu no último sábado, 10, em Praia Grande (SP); vítima levou um soco no olho de um funcionário do estabelecimento
Um empresário foi agredido por um segurança em um quiosque de Praia Grande, e o caso, registrado como lesão corporal, segue em investigação com medidas judiciais em andamento.
O homem de 55 anos, que foi agredido pelo segurança de um quiosque no canto do Forte, em Praia Grande, no litoral de São Paulo, está abalado após o episódio. Em entrevista ao Terra, ele relatou que era cliente do local e que o incidente poderia ter sido ainda mais grave. “Eu caí de cabeça no chão. Se tivesse algum móvel cortante ou alguma coisa mais impactante ali, poderia ser fatal”, lamentou.
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O caso ocorreu na noite do último sábado, 10, no estabelecimento localizado na Avenida Presidente Castelo Branco. Ele e um amigo, que é da capital paulista, chegaram por volta das 21h e fizeram o cadastro da comanda por meio do CPF. Ao longo da noite, tudo correu bem, até a hora que resolveram ir embora.
“Na hora de ir embora, eu fui para o caixa e ele passou direto. Fiquei pagando minha comanda normalmente. Ela [funcionária] tirou minha pulseira, cobrou o valor, porque tudo tinha sido consumido na minha. Ele [amigo] falou a mim que pensou, ‘pô, tudo está na comanda dele, então eu vou tirar minha pulseira, espero ele lá fora, e depois eu faço o pix para ele’”, explica.
Quando o amigo da vítima estava saindo, um segurança o abordou e informou que ele precisava passar no caixa para dar baixa na comanda. Nesse momento, informou que já havia tirado a pulseira o jogado lá dentro, pois não sabia como funcionava.
“Eu paguei minha conta e vi que eles estavam conversando. Vi que ele começou a ficar nervoso, porque não estavam liberando ele”, afirma. Nesse momento, ele se aproximou e explicou que frequenta o lugar com frequência, e que o estabelecimento iria dar um jeito. Em seguida, ele falou novamente com a caixa e passou o CPF do amigo, para que pudessem consultar a comanda e ver que não havia nada nela, só o couvert artístico.
Durante a consulta, constatou-se que não havia nenhum registro na documentação dele. Enquanto os dois ainda tentavam resolver a situação, um segurança encontrou a pulseira perdida e a entregou ao caixa. Mesmo assim, outro segurança se aproximou do empresário e desferiu um soco em seu olho.
“Na hora, eu apaguei, caí de cabeça no chão. Meu amigo viu a situação, me levantou, na hora que ele me levantou, eu recobrei a consciência”, relembra. Em seguida a vítima começou a filmar o segurança com o celular, mas o aparelho foi tomado por ele. O item só foi recuperado após a intervenção de outro funcionário do local, que pegou o telefone do suspeito e o devolveu.
“[Na confusão] Ele imobilizou meu braço, quase quebrou meu braço e tomou meu celular da minha mão. Ele viu que eu tinha gravado ele, queria apagar o vídeo. Só que nisso, um monte de gente começou a falar ‘não, isso não pode’, não sei se eram funcionários ou eram clientes”, explica.
Medo de voltar ao local
O empresário ainda diz que no momento em que tudo ocorreu, só seu amigo o ajudou. O segurança foi levado para dentro, enquanto a vítima era colocada para fora. A Polícia Militar foi acionada para atender ao caso, mas o suspeito já havia saído do local. O caso foi registrado nesta segunda-feira, 12, como lesão corporal no 2º DP de Praia Grande.
A vítima conta que frequenta o quiosque há anos, mas que está com medo de voltar lá. “Eu caí de cabeça no chão. E se tivesse algum móvel cortante ou alguma coisa mais impactante ali, poderia ser fatal”, desabafa.
“Não sou um baderneiro, não sou um drogado, um bandido, eu sou um empresário. Nem um bandido pode ser tratado desse jeito, porque até o bandido tem direito de resposta. Ele poderia achar que eu estava fazendo alguma coisa errada e me perguntar, mas, não. Ele chegou e deu um soco na minha cara”, complementa.
Em nota à reportagem, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) confirmou o registro e informou que a vítima foi expulsa do local sem qualquer auxílio. A pasta também esclareceu que o autor já havia fugido quando a PM chegou. A vítima representou criminalmente junto à polícia com um pedido de instauração de inquérito e solicitou antecipação das provas, imagens do local e identificação do autor. O caso segue em investigação.
O advogado Jonatas de Moura Costa, que representa a vítima, informou ao Terra que já deu início às medidas judiciais para que o segurança seja responsabilizado nas esferas cível e penal. "Acreditamos na Justiça como instrumento de reparação e de transformação social, e seguiremos com todas as ações legais para que situações como esta não se repitam".
Com a palavra, Império Espeto Bar Forte
Ao Estadão, o quiosque Império Espeto Bar Forte declarou que "houve um início de confusão ocasionada pelo cliente nas dependências do estabelecimento, sendo necessária a intervenção por parte do segurança para contê-lo".
O estabelecimento ainda afirma que "repudia veementemente qualquer forma de violência ou agressão e reitera seu compromisso com a segurança e o bem-estar de todos os seus clientes e colaboradores".