Lula diz que brasileiros têm o direito de ter quantos cartões de crédito quiserem
Após declarar que pretendia proibir bancos de emitirem mais de um cartão de crédito por pessoa, o presidente Lula recuou e afirmou que os cidadãos têm o direito de possuir quantos cartões quiserem. Ele reiterou, contudo, que combaterá os juros abusivos e o envio não solicitado de cartões pelas instituições financeiras. Paralelamente, o Banco Central estuda medidas para conter o endividamento, mas fontes confirmam que limitar os consumidores a um único cartão nunca foi uma opção real em análise.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira que os brasileiros têm o direito de ter quantos cartões de crédito quiserem, após afirmar na véspera que avaliava a proibição de mais de um cartão por pessoa.
"Ontem falei da preocupação com o cartão de crédito, pois os juros são indecentes", disse Lula em publicação no X. "Cada cidadão tem o direito de ter quantos cartões de crédito quiser."
"O que não aceito é que bancos enviem para a casa das pessoas sem que elas tenham solicitado. Vamos acabar com essa prática e com os juros abusivos no Brasil", acrescentou.
Em entrevista no Flow Podcast na noite de quinta-feira, o presidente, que tenta a reeleição, disse que está estudando com o Banco Central medidas para restringir os cartões.
"O povo gasta com mais facilidade o cartão de crédito. E ele só vai ver o rombo no final. Nós estamos discutindo com o Banco Central, nós vamos proibir os bancos (de) darem mais que um cartão de crédito para as pessoas", havia dito Lula na entrevista.
O Banco Central vem sinalizando que vai adotar medidas macroprudenciais para enfrentar o que vê como um aumento exacerbado do endividamento.
Mas limitar os consumidores a um único cartão de crédito nunca esteve em consideração, disse à Reuters uma pessoa a par das discussões.
As autoridades econômicas estão estudando práticas adotadas em outros países que tiveram algum sucesso em conter empréstimos abusivos, acrescentou a fonte.
"Até onde sabemos, não há nenhum grande mercado no mundo que imponha uma regra rígida de um único cartão por pessoa", escreveram analistas do Jefferies em relatório sobre a declaração de quinta-feira de Lula.
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