Jornal francês Libération vê Lula "na corda bamba" antes do segundo turno
A disputa presidencial no Brasil ganhou destaque na capa do jornal francês Libération desta quinta-feira (22). Sob o título "Lula está na corda bamba", acompanhado por uma foto do presidente brasileiro, o diário publica três reportagens e um editorial sobre a reta final da corrida eleitoral, marcada pela expectativa de uma possível virada do petista.
Segundo o jornal francês Libération, Lula está em situação delicada na disputa do segundo turno contra Flávio Bolsonaro, que lidera com 68,2% de probabilidade de vitória, aponta o instituto Le Millénaire. Atrás por dois milhões de votos, o petista tenta reagir mobilizando sua base histórica, apostando em um exército digital e no debate final. O diário destaca a força do bolsonarismo no país e alerta que o triunfo da direita deve alinhar o Brasil à esfera de Donald Trump.
Para o Libération, Lula está em situação delicada. Surpreendido pelo resultado do primeiro turno, em que ficou cerca de dois milhões de votos atrás do adversário Flávio Bolsonaro, o presidente tenta reduzir a diferença mobilizando seus eleitores tradicionais e buscando apoios em segmentos onde enfrenta maior resistência. Para conquistar um quarto mandato, o petista tenta recuperar terreno e ampliar sua vantagem no Nordeste, região historicamente favorável ao PT, mas onde também registrou recuos em relação à eleição de 2022.
No entanto, o diário progressista ressalta que a polarização política no Brasil reduziu o espaço para a transferência de votos entre candidatos. Como Lula e Flávio Bolsonaro concentraram praticamente todos os votos do primeiro turno, a disputa agora depende da capacidade de cada um mobilizar eleitores indecisos e aumentar a participação de seus apoiadores.
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A reportagem cita projeções do centro de estudos francês Le Millénaire, de orientação conservadora e especializado em políticas públicas. As estimativas foram produzidas por seu observatório eleitoral, que acompanha disputas em diversos países.
Segundo o modelo desenvolvido pelo instituto, que agrega e atualiza as pesquisas de intenção de voto realizadas no Brasil, Lula tem 30,8% de probabilidade de vencer a eleição, contra 68,2% de Flávio Bolsonaro. Apesar da vantagem do candidato da direita, o centro de estudos observa que o presidente reduziu parte da desvantagem registrada logo após o primeiro turno, quando sua probabilidade de vitória era estimada em apenas 17,7%.
De acordo com os analistas do Le Millénaire, Lula está conseguindo mobilizar novamente parte de seu eleitorado tradicional, especialmente mulheres e eleitores de baixa renda. No entanto, o instituto avalia que a recuperação ainda é insuficiente para ultrapassar o adversário enquanto a diferença entre os evangélicos e nos estados do Sul permanecer elevada.
Exército digital
Em uma segunda reportagem, o jornal francês destaca a ofensiva digital da campanha petista. Diante da força da direita nas redes sociais, Lula intensificou sua presença em plataformas como WhatsApp, Facebook e Instagram. Citanto o grupo "Exército do Lula", o texto diz que o petista aposta na mobilização de milhares de militantes online para conquistar votos nos últimos dias da campanha.
Em editorial, o jornal diz que o futuro do Brasil será decidido no próximo domingo. Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente de extrema direita que já governou o Brasil, é uma espécie de Trump jovem. Que o candidato do PL ganhe ou não, argumenta o texto, o bolsonarismo saiu reforçado das urnas nas eleições legislativas e terá peso decisivo na política brasileira durante o próximo mandato presidencial.
A avaliação global do Libération é que Lula continua competitivo e ainda pode surpreender. A última oportunidade para convencer os eleitores indecisos será o debate da TV Globo, marcado para sexta-feira entre Lula e Flávio Bolsonaro. O jornal considera que o resultado da disputa terá repercussões que ultrapassam as fronteiras brasileiras: nas palavras do editorial, uma vitória do candidato do PL aproximaria o Brasil da esfera de influência política do presidente americano, Donald Trump, seguindo uma tendência observada em outros países da América Latina.
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