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Greve de caminhoneiros chega a 10º dia, mas perde força

Abastecimento começa a ser retomado gradualmente pelo Brasil

30 mai 2018
10h24
atualizado às 11h15
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A greve geral dos caminhoneiros chega ao 10º dia nesta quarta-feira (30), mas dá sinais de que está perdendo força. Muitos caminhoneiros voltaram ao trabalho e os postos de gasolina e mercados começaram a receber combustível e alimentos. A greve, porém, está mantida. Apesar do governo de Michel Temer acatar a maioria das reivindicações da categoria e anunciar dois acordos, alguns integrantes do movimento pedem a renúncia do presidente, a intervenção militar e impedem que mais caminhoneiros voltem o trabalho. Eles alegam que as medidas do governo são "injustas", pois quem arcará com os custos será a sociedade. Alguns chegam a ameaçar e a agredir os colegas que furam os bloqueios.

Trânsito na Avenida Moreira Guimarães, zona sul de São Paulo (SP), na manhã desta quarta-feira (30).
Trânsito na Avenida Moreira Guimarães, zona sul de São Paulo (SP), na manhã desta quarta-feira (30).
Foto: Renato S. Cerqueira/Futura Press

Ontem, um vídeo postado nas redes sociais mostrou um motorista de caminhão-cegonha na BR-153, em Miranorte, no Tocantins, sendo agredido por outros caminhoneiros por furar um dos bloqueios na rodovia. Ele teve sua roupa rasgada e sofreu golpes e socos. Desabastecimento - O abastecimento está sendo retomado gradualmente em todo o Brasil. Ao menos 11 capitais já têm metade dos postos com gasolina e etanol, a maioria na região norte e nordeste. A Petrobras Distribuidora (BR) informou, em nota, que o abastecimento de combustíveis aos clientes da subsidiária já está sendo retomado "de forma gradativa" em todo o Brasil, com as desobstruções de estradas, vias de acesso e portarias de bases de distribuição, e apoio das escoltas de comboios de caminhões-tanques realizadas pelas Forças de Segurança.

A avaliação da subsidiária é que alguns pontos do País, sobretudo as regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste, já operam "dentro da normalidade". "Em aeroportos secundários e nas regiões Sul e Sudeste, ainda há restrições à circulação que impedem o abastecimento pleno do mercado", diz a nota.

Mas a previsão de vários setores da economia é que a situação só se normalize daqui a 10 dias ou um mês, quando o desabastecimento será resolvido e os preços deverão voltar à média.

De acordo com uma pesquisa do Instituto Datafolha com 1,5 mil pessoas, 87% delas disseram apoiar o movimento de greve dos caminhoneiros. Outros 10% se disseram contrários e 2%, indiferentes. Sobre a manutenção da paralisação, 56% dos entrevistados são a favor de que a greve seja mantida, e 42% pediram seu fim. Em relação às medidas adotadas pelo governo, a pesquisa apontou que 59% acreditam que causam mais prejuízos aos brasileiros do que solução para a greve.

Confira o que o governo já ofereceu aos caminhoneiros:

1) Desconto de R$ 0,46 centavos no preço do diesel, uma redução que correspondente à soma dos descontos dos impostos PIS/Cofins e da Cide.

2) O preço com desconto do diesel será mantido por 60 dias. Após o período, os reajustes serão mensais, e não mais diários.

3) Isenção da cobrança do eixo suspenso em rodovias.

4) Caminhoneiros autônomos terão 30% dos fretes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

5) Estabelecimento de uma tabla mínima de frete.

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