Flávio Bolsonaro se declara líder do Brasil em carta após viajar para os EUA
Após descumprir ordem do STF de retenção de passaporte, o senador Flávio Bolsonaro viajou aos Estados Unidos com a família, onde publicou carta autodeclarando-se o legítimo "líder do Brasil". Derrotado por Lula no pleito atestado pelo TSE e já reconhecido pelo próprio PL, o parlamentar alegou fraude eleitoral sem apresentar provas e afirmou sofrer perseguição política, anunciando a intenção de liderar a oposição ao governo brasileiro diretamente do exterior.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta quarta-feira em uma carta pública que deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos porque estaria sendo alvo de uma perseguição política e que seria o líder legítimo do país, alegando, sem apresentar provas, que teria sido vítima de uma fraude eleitoral.
Em uma primeira versão da carta, Flávio se autodeclarava o "legítimo presidente eleito" do Brasil, mas essa versão depois foi atualizada por uma nova em que se descreve como "o líder do Brasil".
Flávio foi derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no domingo por uma diferença de 4,4 milhões de votos, em resultado que foi atestado como regular pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O principal questionamento que Flávio levanta envolve a prorrogação por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em duas horas do horário de votação no domingo. No entanto, a prorrogação não teve qualquer impacto no resultado final das eleições, uma vez que apenas 35 mil pessoas -- 0,03% do total -- votaram no horário estendido.
O próprio partido de Flávio Bolsonaro, o PL, já reconheceu a derrota eleitoral para Lula no segundo turno, assim como o seu candidato a vice, o deputado federal Alfredo Gaspar, e diversos aliados do candidato derrotado.
Procurados, o Palácio do Planalto e o TSE não responderam de imediato a pedido de comentário sobre a carta de Bolsonaro. O STF disse que não iria comentar a carta.
Na manifestação de três páginas, que foi distribuída por diversos aliados de Flávio e publicada nas redes sociais, Flávio Bolsonaro afirmou que vai liderar a oposição brasileira a partir dos Estados Unidos.
"Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece", disse, acrescentando que considera ser vítima de uma "uma caça às bruxas politicamente motivada".
Na manifestação, Flávio Bolsonaro agradece aos presidentes da Argentina, Javier Milei, e dos EUA, Donald Trump. Os comandantes desses dois países ainda não reconheceram a vitória de Lula no pleito.
Mesmo com uma ordem do STF para não deixar o Brasil e entregar seus passaportes após perder a eleição, o senador deixou o Brasil passando pela Argentina rumo aos Estados Unidos, onde chegou na manhã desta quarta com sua esposa e suas duas filhas menores de idade.
A operação de fuga de Flávio do Brasil e chegada ao território norte-americano, passando pela Argentina e o Equador, ocorreu por uma ação de despiste e repasse de informações falsas de aliados diretos de Flávio Bolsonaro.
"Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece", disse o senador, que não informou como fará isso.
Em sua conta no X, o presidente e fundador do Eurasia Group, Ian Bremmer, lembrou que Lula foi reconhecido vencedor por todos os principais líderes da América Latina, tanto de direita quanto de esquerda, com exceção de Milei, e, mesmo assim, Flávio Bolsonaro declara-se "o verdadeiro presidente eleito do Brasil".
"Um circo. Uma vergonha para o país", disse.
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