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Flávio Bolsonaro foi para os EUA, dizem aliado do senador e fonte do governo norte-americano à Reuters

27 out 2026 - 14h33
(atualizado às 14h55)
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Resumo
O senador Flávio Bolsonaro viajou aos EUA após descumprir a ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, para entregar seus passaportes em um inquérito sobre lavagem de dinheiro. A viagem ocorreu após sua derrota nas eleições presidenciais para Lula, resultado que ele não reconheceu oficialmente. Sem registros de saída em postos migratórios regulares e com suspeitas de passagem pela Argentina, sua ida aos EUA repete os passos de seu pai, Jair Bolsonaro, após a derrota no pleito de 2022.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ‌foi para os Estados Unidos, confirmaram à Reuters nesta terça-feira um aliado próximo do parlamentar e uma fonte do governo dos EUA, após Flávio descumprir o prazo estabelecido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar seus passaportes à Polícia Federal.

A Reuters não confirmou com quem o senador viajou aos EUA, mas apurou com uma ⁠terceira fonte que as duas filhas do parlamentar não foram para as escolas que cada ‌uma delas estuda em Brasília nesta terça.

Procurada, a defesa de Flávio Bolsonaro não respondeu de imediato a pedido de comentário.

Na véspera, em vídeo publicado em suas redes sociais após ‌ser intimado para entregar seu passaporte em 24 horas, ‌Flávio negou ter a intenção de deixar o Brasil e disse que ficaria ⁠no país para, segundo ele, organizar a oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no domingo ao derrotar o senador no segundo turno da eleição presidencial.

Moraes determinou a entrega dos passaportes de Flávio no âmbito de um inquérito em que o senador é investigado por lavagem de dinheiro juntamente com o advogado Willer Tomaz, amigo ‌do senador. Ambos os acusados negam qualquer irregularidade.

A decisão do ministro do STF foi tomada após o ‌ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de ⁠Flávio, dizer em uma ⁠transmissão nas redes sociais que Flávio deveria deixar o país caso perdesse a eleição presidencial e que ⁠iria liderar a oposição brasileira.

O paradeiro de Flávio ‌era desconhecido, após um veículo ‌de imprensa argentino afirmar que ele teria entrado no país e viajaria de lá para os Estados Unidos. O governo argentino disse não ter registro da entrada de Flávio.

 PASSOS DO PAI?

 O mistério em torno do paradeiro de Flávio levantou preocupações de ⁠que ele possa seguir os passos do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que viajou para os Estados Unidos depois de se recusar a reconhecer a derrota para Lula na eleição presidencial de 2022.

 Jair Bolsonaro acabou retornando ao Brasil, mas posteriormente foi condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe ‌de Estado. Flávio ainda não reconheceu oficialmente a derrota no domingo. No dia da votação, afirmou que buscaria a anulação do resultado alegando irregularidades após a prorrogação do prazo ⁠de votação. Posteriormente, disse que pediria a cassação da chapa de Lula ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No entanto, seu partido, o PL, declarou na segunda-feira que reconhecia a vitória de Lula.

Após notícias na imprensa argentina sobre a presença de um avião particular no Aeroporto Internacional de Puerto Iguazú, na fronteira entre Argentina e Brasil, as autoridades argentinas inspecionaram a aeronave e sua tripulação. Segundo o comunicado, não encontraram nenhum plano de voo que listasse a família de Flávio Bolsonaro.

Um porta-voz do presidente argentino Javier Milei, aliado da família Bolsonaro e que ainda não parabenizou Lula pela vitória, afirmou que "não há pedido de asilo", recusando-se a fornecer mais detalhes.

 Enquanto isso, uma autoridade da Polícia Federal afirmou que Bolsonaro não deixou o país por nenhum posto regular de controle migratório.

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