Script = https://s1.trrsf.com/update-1790713512/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Brasil

Publicidade

Em tom mais moderado, último debate entre Lula e Flávio aborda propostas e mira eleitores indecisos

Os candidatos à presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) voltaram nesta sexta-feira (23) a se enfrentar no último debate antes do segundo turno das eleições no Brasil. Em tom mais moderado, os dois limitaram as ofensas que marcaram o primeiro debate, no domingo (18), e apresentaram suas visões sobre temas como poder aquisitivo, saúde e segurança.

24 out 2026 - 01h52
Compartilhar
Exibir comentários
Resumo
No último debate presidencial na TV Globo, Lula e Flávio focaram em propostas e indecisos sob tom mais moderado, embora marcado por atritos. O ápice ocorreu quando Flávio ironizou a mão de Lula, chamando-o de "nove dedos", mas retratou-se após reação do petista. A pauta econômica abordou inflação, salário mínimo e gastos públicos. Na segurança, Lula constrangeu o rival ao citar a menina Ana Clara. O bloco final teve trocas de acusações sobre corrupção antes dos atos derradeiros de campanha.

Lúcia Müzell, enviada especial da RFI a São Paulo 

A campanha eleitoral foi encerrada nesta sexta-feira e esta foi a última oportunidade de os dois políticos convencerem os eleitores indecisos, que poderão definir a eleição.

O duelo, realizado pela TV Globo no Rio de Janeiro, começou com perguntas sobre as cinco regiões do país. Demonstrando estar treinado para o confronto, Flávio estava mais à vontade do que  o adversário, que insistiu em acusar o candidato da direita de "não conhecer" o Norte e o Nordeste.

Mas na sequência, enquanto abordavam a valorização do salário mínimo, o debate teve seu ponto mais alto quando o candidato do PL ironizou as mãos de Lula - que não tem o dedo mínimo esquerdo. "Não adianta pagar R$ 1.600 se você dá com uma mão e tira com nove dedos", afirmou. 

Flávio pede desculpas por 'nove dedos'

O comentário levou Lula a exigir direito de resposta e um pedido de desculpas do adversário. "Me chamou de nove dedos. Se alguém aqui nesse púlpito sabe o que é trabalho, sou eu. Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos. Nunca trabalhou na vida e não sabe o que é uma carteira profissional", respondeu Lula. "Se eu ofendi, eu te peço desculpas de verdade. Não queria te ofender", disse Flávio. 

O instituto de pesquisas Quaest, que acompanhou as reações ao vivo de 300 pessoas de variados perfis pelo Brasil, constatou que esta troca foi o momento de melhor recepção positiva à postura do candidato petista, e um dos melhores momentos de Flávio ao se desculpar. Entre os eleitores bolsonaristas ouvidos, entretanto, o pedido de perdão foi mal recebido.

O candidato do PL ainda voltou a sugerir que o petista não estava escutando bem e que não era claro em  suas falas, e Lula reiterou as acusações de "miliciano" e "mentiroso". Mas, de forma geral, o debate foi menos tenso do que o primeiro encontro, marcado por ofensas e deboches de ambas as partes. 

Temas de economia 

Os temas de economia tiveram destaque no segundo e terceiro blocos. Flávio criticou o endividamento das famílias e a perda de poder aquisitivo, retomando a promessa de Lula de que "o povo voltaria a comer picanha". "Antes, se parcelava a geladeira, agora se parcela o que está na geladeira", disparou.

"Se a gente não tivesse reajustado o salário acima da inflação, sabe quanto seria o salário mínimo por conta do seu pai e do Temer, que não aumentaram? Seria R$ 900", retrucou o petista.

Lula também questionou se Flávio pretendia adotar um "tesouraço" nos gastos públicos, como o ajuste fiscal do presidente argentino Javier Milei. Flávio defendeu o aliado político, ressaltando as divergências com Lula em relação à gestão da economia. 

Segurança pública e a menina Ana Clara 

Na sequência, no tema da segurança, que costuma desestabilizar o candidato do PT, Lula voltou a trazer à tona o caso da menina Ana Clara, morta por um tiro de fuzil disparado por um policial defendido por Flávio, como advogado. O senador ficou visivelmente desconfortável diante da presença da mãe da menina na plateia.

No quarto e último bloco do duelo, com tema livre à escolha dos candidatos, os ânimos voltaram a se exaltar em meio a acusações mútuas sobre o escândalo do Banco Master e o desafio de abertura de sigilos bancários.

"Esse cara corrompeu a República. E ele é um deles", acusou Lula. "Por que você não coloca os seus bens no seu nome? A sua vida é um laranjal", disse Flávio. 

Neste sábado, véspera da eleição, Lula participa de uma caminhada com a militância no Rio de Janeiro, pela manhã, e em São Paulo, à tarde. Flávio vai ao encontro dos eleitores pela manhã em Belo Horizonte e, à tarde, estará no Rio de Janeiro.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Compartilhar
TAGS

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra