Dois pesquisadores brasileiros aparecem em lista das 100 pessoas mais influentes do mundo da Time
Luciano Moreira está na seção de 'Inovadores', enquanto Mariangela Hungria figura na de 'Pioneiros'; Wagner Moura também aparece em lista
A lista das 100 pessoas mais influentes do mundo, da revista Time, inclui dois pesquisadores brasileiros: Luciano Moreira e Mariangela Hungria. A relação foi divulgada nesta quarta-feira, 15, e também conta com o ator Wagner Moura.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
Lider no desenvolvimento de uma técnica com mosquitos que impedem a transmissão de doenças como a dengue, a zika, a chikungunya e a febre amarela urbana, Luciano Moreira, aparece na seção de "Inovadores".
O Método Wolbachia, do World Mosquito Program, liderado por Moreira, consiste na liberação de Aedes aegypti com uma bactéria chamada Wolbachia, para que se reproduzam com mosquitos locais da mesma espécia. Com isso, aos poucos, a nova população dos insetos terá a bactéria, o que impedirá que os vírus das doenças se desenvolvam dentro deles, contribuindo para redução destas enfermidades.
"Após introduzir o projeto no Brasil em 2012, Moreira liderou sua expansão constante em todo o país, reunindo evidências robustas para demonstrar a eficácia dessa abordagem baseada na natureza, ao mesmo tempo que fortaleceu parcerias com comunidades e conquistou a confiança pública necessária para implementar a ideia em larga escala", explica a revista ao falar de Moreira.
"Esse esforço contínuo culminou no ano passado em um marco importante: o lançamento do Wolbito do Brasil — a maior biofábrica do mundo dedicada à criação de mosquitos Wolbachia. Com a ambição de proteger mais de 140 milhões de pessoas na próxima década, Moreira está ajudando a redefinir o que é possível na luta contra doenças transmitidas por mosquitos.", destaca a Time.
Já Mariangela Hungria, pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), aparece na seção "Pioneiros", pelo trabalho com microrganismos do solo que possibilitarão a redução do uso de fertilizantes químicos na agricultura.
A revista lembra como "aproximadamente metade da humanidade cultiva seus alimentos com a ajuda de uma tecnologia centenária: fertilizantes sintéticos". "Os fertilizantes revolucionaram a agricultura, fornecendo nutrientes essenciais às plantas. Mas eles têm desvantagens. Se aplicados em excesso, o escoamento pode contaminar os cursos d'água. E, como são feitos de combustíveis fósseis, o produto tem uma pegada de carbono significativa", afirma o trecho que fala da pesquisadora.
"Mariangela Hungria encontrou uma alternativa", continua o texto, ressaltando como a agrônoma e microbiologista brasileira já é vencedora do Prêmio Mundial da Alimentação de 2025 e trabalha com a Embrapa para desenvolver microrganismos do solo que permitem que as plantações absorvam nitrogênio do ar de forma mais natural.
"Graças ao seu trabalho, 85% da soja brasileira é cultivada com esses microrganismos em vez de fertilizantes sintéticos. Suas inovações científicas, utilizadas em todo o mundo, ajudaram os agricultores brasileiros a economizar cerca de US$ 25 bilhões por ano e a evitar a emissão de 230 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono equivalente", finaliza a revista.
A revista Time também reconheceu o ator Wagner Moura na edição da lista de 2026.
Comentários
As opiniões expressas nos comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Terra.