Vídeo: implosão de hotel no interior de SP usa drone para 'segurar' poeira
Operação usou 50 kg de explosivos em 420 pontos de detonação; área vai receber torre mista de 17 andares
A implosão do Hotel Urupema, neste domingo, 16, em São José dos Campos, no interior de São Paulo, é a primeira realizada no Brasil com o uso de um drone bombeiro para reduzir a dispersão da poeira. A estrutura de 9 mil toneladas de concreto e ferro foi ao chão em cerca de seis segundos, com a detonação de 50 quilos de explosivos distribuídos em 420 pontos de detonação.
Para realizar a operação, ruas e avenidas no entorno do antigo hotel, na Avenida Nove de Julho, no Jardim Apolo, foram bloqueadas. Além disso, moradores de prédios e casas no entorno da implosão precisaram deixar seus apartamentos em uma medida de segurança. Cordões de isolamento mantiveram a população mais curiosa a uma distância segura.
Os dispositivos de detonação foram acionados a partir de uma sala de controle. Para reduzir a poeira, além do uso do drone bombeiro, foram distribuídas piscinas plásticas cheias de água pela estrutura do prédio. Telas plásticas foram colocadas para isolar o terreno.
Contrastando com a rapidez da queda do prédio, o trabalho de retirada de escombros deve durar ao menos 30 dias. O material vai passar por um processo de fragmentação mecanizada em trituradores. Os resíduos serão utilizados por uma empresa especializada na reciclagem desse material.
Inaugurado em 1976, o hotel funcionou por mais de quatro décadas e encerrou as atividades em julho deste ano. Após ser vendido para uma construtora, o terreno vai abrigar uma torre mista residencial e comercial com 17 andares.
O engenheiro de minas Manoel Jorge Diniz Dias, mais conhecido como o 'Manezinho da Implosão', diz que esta é a primeira vez que o drone bombeiro é usado no Brasil. "No mundo o uso também é raro com essa finalidade de reduzir a dispersão da poeira. Lá fora já foi usado para debelar possíveis focos de incêndio, que é a outra utilidade dele."
O equipamento atuou lançando água diretamente sobre a nuvem de partículas logo após a detonação para diminuir os impactos imediatos no entorno e aumentar a segurança da operação. O drone opera conectado a um caminhão por meio de mangueiras de alta pressão, e consegue lançar água diretamente no foco de calor ou em áreas estratégicas no caso da implosão, direcionado à poeira levantada no colapso da estrutura.
O engenheiro considerou um "sucesso completo" a implosão do antigo hotel. "Tivemos uma contenção dos escombros e da poeira, que sempre é um problema nas implosões". O especialista já realizou mais de 200 demolições com implosão no Brasil e na Argentina. Nesta quinta-feira, 20, ele viaja para a Colômbia com a missão de implodir 40 prédios.