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vc repórter: protesto leva 2 mil pessoas às ruas de Blumenau, em SC

23 jun 2013
13h56
atualizado às 14h34
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Um nova manifestação reuniu cerca de 2 mil pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar, em Blumenau, Santa Catarina, na noite deste sábado. Este é o segundo ato que acontece na cidade em dois dias: na última quinta-feira, cerca de 15 mil pessoas foram às ruas para reivindicar melhorias.

Com faixas e cartazes, manifestantes foram às ruas de Blumenau para pedir melhorias
Com faixas e cartazes, manifestantes foram às ruas de Blumenau para pedir melhorias
Foto: Jaime Batista da Silva / vc repórter

Mesmo com a redução do preço da passagem de ônibus de R$ 3,05 para R$ 2,90, anunciada na última segunda-feira pelo prefeito Napoleão Bernardes (PSDB) em cumprimento a uma decisão da Justiça, o povo foi para as ruas. 

O protesto começou por volta das 17h30 na praça Victor Konder, no centro do município, e passou pelas ruas Doutor Amadeu da Luz, 7 de Setembro, alameda Rio Branco e a avenida Beira-Rio. O retorno à praça, que está localizada em frente à prefeitura municipal, ocorreu por volta das 19h.

Operação Tapete Negro foi lembrada durante o ato
Operação Tapete Negro foi lembrada durante o ato
Foto: Jaime Batista da Silva / vc repórter

Com faixas e cartazes, os manifestantes cobraram obras de recuperação da margem esquerda do rio Itajaí-Açu e o andamento sobre a Operação Tapete Negro, deflagrada em 2012 para investigar fraudes em licitações envolvendo a prefeitura. O ex-prefeito João Paulo Kleinübing estava entre os nomes investigados.

Além das reivindicações locais, o grupo também protestou contra a Proposta de Emenda Constitucional 37/2011, a chamada PEC 37, que acaba com o poder de investigação do Ministério Público, e pediu a derrubada do projeto de lei que ficou conhecido como "cura gay", proposta que autoriza aos psicólogos a promover tratamentos com o objetivo de "curar" a homossexualidade. O projeto foi aprovado na última terça-feira pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, presidida pelo deputado Marco Feliciano (PSC-SP).

A manifestação em Blumenau foi pacífica e policiais militares acompanharam o ato durante todo o percurso.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

O grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

O internauta Jaime Batista da Silva, de Blumenau (SC), participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.

vc repórter

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