vc repórter: por diversão, pedreiro vende pipas há 31 anos em BH
Uma brincadeira que, de tão antiga, ajudou Benjamin Franklin a inventar o para-raio em 1752, a pipa (ou papagaio, estrela, bicó e arraia em alguns Estados), ainda faz parte da brincadeira de crianças e adultos.
O pedreiro de profissão e "artista de pipas" nas horas vagas Dercival Cândido cultiva há 31 anos a arte de produzi-las e vendê-las, sempre no mesmo lugar: a Praça do Papa, no bairro Mangabeiras, zona sul de Belo Horizonte.
O "hobby-profissão" começou por acaso. Em 1981, quando tinha 17 anos, Cândido resolveu ir com um amigo até a praça para brincar de soltar pipa. Lá, os frequentadores ficaram atraídos pelo brinquedo que ele mesmo havia montado e decidiram comprar o papagaio que ele soltava. Desde então, ele não parou mais de criar.
A cada dia de sol Cândido pendura suas pipas em um varal improvisado na praça, e ainda dá aula. "Eu vendo completas, com linha e rabiola. E se a pessoa não sabe, eu ensino a soltar", conta.
Cada pipa custa R$ 5 e os clientes são de todas as idades. "Tem criança, tem jovem e até idoso. Tenho um cliente de 80 anos que vem aqui e quer sempre a pipa no jeito certo, com uma manivela de madeira no lugar da latinha para amarrar a linha", explica.
O pedreiro é habilidoso na hora de fazer os papagaios. Substituindo as antigas varetas de bambu por fibras e usando plástico para a rabiola, Cândido chega a montar 80 pipas por dia, de vários tamanhos, cores e formas. "Já montei uma com 2 m de largura", diz, orgulhoso.
Apesar de chegar a vender 80 papagaios por final de semana, o pedreiro garante que trabalha por diversão. "Eu adoro pipas e adoro crianças. Gosto de estar no meio delas e brincar com elas. 70% do meu trabalho é diversão", afirma.
Aos 48 anos, o pedreiro se considera velho e já prepara seu sucessor. David Cândido, de 6 anos, ajuda o pai a vender as pipas e, claro, soltá-las. "Você tem que ver a habilidade dele. Desse tamanho, já pega e ensina as pessoas a soltarem. Com certeza, irá me substituir nesse trabalho", diz esperançoso.
A internauta Isabella Dias, de Belo Horizonte (MG), participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.