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RS: sobreviventes da Kiss têm dificuldades para conseguir remédios

13 ago 2013
22h42
atualizado às 22h43
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Sobreviventes do incêndio da Boate Kiss em janeiro em Santa Maria (RS) enfrentam dificuldades para conseguir remédios de graça pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Eles reclamam da demora e afirmam que precisam entrar na Justiça para ter acesso à medicação. Jarlene Spitzmachir, que estava na boate na noite da tragédia, tem bronquite asmática e dificuldades para caminhar. Ela precisa tomar 10 remédios diferentes por dia, mas desde que ganhou alta do hospital, em fevereiro, nunca conseguiu os medicamentos pelo SUS. “Já tentei diversas vezes, já mandei diversas vezes toda a papelada para eles, mas nunca consegui nada. Ligo para lá e eles nunca sabem de nada”, disse. As informações são do RBS Notícias.

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Outra sobrevivente do incêndio, Naiara Neuenfeldt desistiu de pedir ao SUS os remédios para combater uma inflamação no pulmão. “No início do tratamento, a minha mãe esteve na 4ª Coordenadoria de Saúde, mas disseram que para conseguir as medicações apenas pela via judicial”, disse. Segundo os médicos, a demora em tomar a medicação põe em risco a saúde dos pacientes que sofrem de doenças pulmonares, como é o caso das pessoas que inalaram fumaça tóxica durante o incêndio na Kiss. Se o tratamento for interrompido, sintomas que já haviam sido controlados podem voltar. “Tosse, falta de ar, chiado no peito. E essa época do ano, esses pacientes que eventualmente venham a ficar sem medicação podem ter o quadro bastante agravado”, disse o pneumologista Gustavo Michel. A Coordenadoria de Saúde de Santa Maria afirma que medicamentos que constam na lista do Estado são fornecidos em até 20 dias. Para fornecer outros remédios, os pacientes precisam entrar na Justiça. “Temos seis meses já da tragédia, e, neste momento, o cuidado aos sobreviventes já entrou no fluxo normal do SUS”, afirmou Flávia Costa da Silva, da Coordenadoria.

Incêndio na Boate Kiss
Na madrugada do dia 27 de janeiro, um incêndio deixou 242 mortos em Santa Maria (RS). O fogo na Boate Kiss começou por volta das 2h30, quando um integrante da banda que fazia show na festa universitária lançou um artefato pirotécnico, que atingiu a espuma altamente inflamável do teto da boate.

Com apenas uma porta de entrada e saída disponível, os jovens tiveram dificuldade para deixar o local. Muitos foram pisoteados. A maioria dos mortos foi asfixiada pela fumaça tóxica, contendo cianeto, liberada pela queima da espuma.

Os mortos foram velados no Centro Desportivo Municipal, e a prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias. A presidente Dilma Rousseff interrompeu uma viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde prestou solidariedade aos parentes dos mortos.

Os feridos graves foram divididos em hospitais de Santa Maria e da região metropolitana de Porto Alegre, para onde foram levados com apoio de helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira). O Ministério da Saúde, com apoio dos governos estadual e municipais, criou uma grande operação de atendimento às vítimas.

Quatro pessoas foram presas temporariamente - dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Spohr, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffmann, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos. Enquanto a Polícia Civil investiga documentos e alvarás, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros divergem sobre a responsabilidade de fiscalização da casa noturna.

A tragédia fez com que várias cidades do País realizassem varreduras em boates contra falhas de segurança, e vários estabelecimentos foram fechados. Mais de 20 municípios do Rio Grande do Sul cancelaram a programação de Carnaval devido ao incêndio.

No dia 25 de fevereiro, foi criada a Associação dos Pais e Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia da Boate Kiss em Santa Maria. A associação foi criada com o objetivo de oferecer amparo psicológico a todas as famílias, lutar por ações de fiscalização e mudança de leis, acompanhar o inquérito policial e não deixar a tragédia cair no esquecimento.

Indiciamentos
Em 22 de março, a Polícia Civil indiciou criminalmente 16 pessoas e responsabilizou outras 12 pelas mortes na Boate Kiss. Entre os responsabilizados no âmbito administrativo, estava o prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer (PMDB). A investigação policial concluiu que o fogo teve início por volta das 3h do dia 27 de janeiro, no canto superior esquerdo do palco (na visão dos frequentadores), por meio de uma faísca de fogo de artifício (chuva de prata) lançada por um integrante da banda Gurizada Fandangueira.

O inquérito também constatou que o extintor de incêndio não funcionou no momento do início do fogo, que a Boate Kiss apresentava uma série das irregularidades quanto aos alvarás, que o local estava superlotado e que a espuma utilizada para isolamento acústico era inadequada e irregular. Além disso, segundo a polícia, as grades de contenção (guarda-corpos) existentes na boate atrapalharam e obstruíram a saída de vítimas, a boate tinha apenas uma porta de entrada e saída e não havia rotas adequadas e sinalizadas para a saída em casos de emergência - as portas apresentavam unidades de passagem em número inferior ao necessário e não havia exaustão de ar adequada, pois as janelas estavam obstruídas.

Já no dia 2 de abril, o Ministério Público denunciou à Justiça oito pessoas - quatro por homicídios dolosos duplamente qualificados e tentativas de homicídio, e outras quatro por fraude e falso testemunho. A Promotoria apontou como responsáveis diretos pelas mortes os dois sócios da casa noturna, Mauro Hoffmann e Elissandro Spohr, o Kiko, e dois dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Augusto Bonilha Leão.

Por fraude processual, foram denunciados o major Gerson da Rosa Pereira, chefe do Estado Maior do 4º Comando Regional dos Bombeiros, e o sargento Renan Severo Berleze, que atuava no 4º CRB. Por falso testemunho, o MP denunciou o empresário Elton Cristiano Uroda, ex-sócio da Kiss, e o contador Volmir Astor Panzer, da GP Pneus, empresa da família de Elissando - este último não havia sido indiciado pela Polícia Civil.

Os promotores também pediram que novas diligências fossem realizadas para investigar mais profundamente o envolvimento de outras quatro pessoas que haviam sido indiciadas. São elas: Miguel Caetano Passini, secretário municipal de Mobilidade Urbana; Belloyannes Orengo Júnior, chefe da Fiscalização da secretaria de Mobilidade Urbana; Ângela Aurelia Callegaro, irmã de Kiko; e Marlene Teresinha Callegaro, mãe dele - as duas fazem parte da sociedade da casa noturna.

 
Fonte: Terra

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