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SP: quem não protesta diz não se importar em chegar mais tarde em casa

"Eu podia reclamar que eu vou chegar mais tarde em casa, que eu estou com fome, que eu vou perder o horário da janta, mas não. Estou adorando. Do jeito que está, não é incômodo. O que incomoda é ser roubado. Incômodo são os políticos", diz Antônio José Bauer, 53 anos

17 jun 2013
19h34
atualizado às 21h14
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Enquanto uma multidão passa pela avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, para protestar contra o aumento do preço da passagem de ônibus, as pessoas que não participam da manifestação - e têm que chegar mais tarde em casa, já que o transporte na região ficou prejudicado -, dizem não se importar com o problema.

<p>Multidão participa da manifestação em São Paulo nesta segunda-feira</p>
Multidão participa da manifestação em São Paulo nesta segunda-feira
Foto: Gabriela Biló / Futura Press

"Eu sou do tempo da ditadura militar, quando o povo protestava por mudança, mas nada mudou até hoje. É bonito ver tanta gente reivindicando nossos direitos, que não são respeitados", diz Valdete Avana, 61 anos, secretária. A mulher esperava os ativistas passarem para poder chegar ao metrô (que fica no caminho contrário ao dos manifestantes) e voltar para casa. A maior parte dos prédios da região, que são em sua maioria comerciais, está vazia, já que as empresas liberaram mais cedo os funcionários.

Durante o percurso, muitos moradores dos prédios balançaram toalhas brancas na janela, em apoio ao movimento. Durante o trajeto, muitos manifestantes pararam em um bar na avenida Juscelino Kubitscheck para acompanhar a invasão do Congresso Nacional pela TV. A cena animou os manifestantes em São Paulo.

Muitas pessoas abandoram os ônibus e saíram para a rua. Mas duas mulheres optaram por permanecer em dos coletivos. Elilma Martins Nascimento e Zenilda Jerônimo Ferreira, ambas de 51 anos, já estavam havia uma hora presas no no cruzamento da avenida Cidade Jardim com avenida Faria Lima, sem se importar de chegar mais tarde em casa. "Já era para eu estar em casa neste horário", afirmou Zenilda.

O cobrador do coletivo, Manuel Messias Alves da Paz, 58 anos, também não deu importância para a demora. "Sabe que horas eu acordo? Três e meia, três e quarenta (da madrugada). Mas precisa disso. Está pacifico sem quebrar nada, não faz mal", disse. Outras duas mulheres presas no congrestionamento viraram atração durante a manifestação: elas pintaram o rosto e pegaram cartazes para protestar junto com os ativistas. Uma das ocupantes do veículo, Darcy Martino, 78 anos, disse que se juntou involuntariamente ao protesto, mas que também é contra o aumento e a corrupção e apoia o movimento.

José Maria Aguiar, dono de uma lanchonete na Faria Lima, diz que tentou fechar o estabelecimento mais cedo. Contudo, o comerciante diz que o medo dele não era pela violência, mas pelo excesso de movimento. "Eu queria fechar, mas não dá. Tem muita gente. Está acabando tudo", disse apressado para atender os manifestantes que davam uma pausa no protesto.

Perto de um ponto de táxi - sem nenhum taxista -, duas mulheres também aguardavam o fim da manifestação para voltar para casa. Margarida Maria Garcia, auxiliar administrativo que esperava os ônibus voltarem a circular na região, disse apoiar a manifestação. "Atrapalhar, atrapalha mesmo, mas não é incômodo. Se continuar assim (pacífico), eu apoio. Não faz tão mal chegar um pouquinho depois em casa."

"Eu podia reclamar que eu vou chegar mais tarde em casa, que eu estou com fome, que eu vou perder o horário da janta, mas não. Estou adorando. Do jeito que está, não é incômodo. O que incomoda é ser roubado. Incômodo são os políticos", diz Antônio José Bauer, 53 anos, autônomo. Bauer afirma que, sem a truculência da polícia, como ocorreu na quinta-feira, a manifestação desta segunda-feira segue de maneira pacífica.

"Tem que ser assim mesmo. Não vou dizer que não atrapalha, mas eu concordo plenamente", diz Márcio Oliveira, 28 anos, securitário. "É por muita coisa (o protesto). Não é só R$ 0,20. Foi a gota d'água. O povo acordou agora", diz Bolívar Olímpio, 56 anos, autônomo. 

A reportagem do Terra conversou com seguranças particulares dos prédios da região e nenhum disse ter observado atos de violência ou vandalismo.

Cenas de guerra nos protestos em SP
A cidade de São Paulo enfrenta protestos contra o aumento na tarifa do transporte público desde o dia 6 de junho. Manifestantes e policiais entraram em confronto em diferentes ocasiões e ruas do centro se transformaram em cenários de guerra. Enquanto policiais usavam bombas e tiros de bala de borracha, manifestantes respondiam com pedras e rojões.

Durante os atos, portas de agências bancárias e estabelecimentos comerciais foram quebrados, ônibus, muros e monumentos pichados e lixeiras incendiadas. Os manifestantes alegam que reagem à repressão opressiva da polícia, que age de maneira truculenta para tentar conter ou dispersar os protestos.

Veja a cronologia e mais detalhes sobre os protestos em SP

Segundo a administração pública, em quatro dias de manifestações mais de 250 pessoas foram presas, muitas sob acusação de depredação de patrimônio público e formação de quadrilha. No dia 13 de junho, bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela Polícia Militar na rua da Consolação deram início a uma sequência de atos violentos por parte das forças de segurança, que se espalharam pelo centro.

O cenário foi de caos: manifestantes e pessoas pegas de surpresa pelo protesto correndo para todos os lados tentando se proteger; motoristas e passageiros de ônibus inalando gás de pimenta sem ter como fugir em meio ao trânsito; e vários jornalistas, que cobriam o protesto, detidos, ameaçados ou agredidos.

No dia seguinte ao protesto marcado pela violência, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) declarou que via "ações coordenadas" oportunistas no movimento, reiterou "a defesa do direito de ir e vir" da população, mas garantiu que não permitirá que os manifestantes prejudiquem a circulação de veículos e pessoas. No mesmo dia, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou que a polícia deve ser investigada por abusos cometidos, mas não deixou de criticar a ação dos ativistas.

As agressões da polícia repercutiram negativamente na imprensa e também nas redes sociais. Vítimas e testemunhas da ação violenta divulgaram relatos, fotografias e vídeos na internet. A mobilização ultrapassou as fronteiras do País e ganhou as ruas de várias cidades do mundo. Dezenas de manifestações foram organizadas em outros países em apoio aos protestos em São Paulo e repúdio à ação violenta da Polícia Militar. Eventos foram marcados pelas redes sociais em quase 30 cidades da Europa, Estados Unidos e América Latina.

As passagens de ônibus, metrô e trem da cidade de São Paulo passaram a custar R$ 3,20 no dia 2 de junho. A tarifa anterior, de R$ 3, vigorava desde janeiro de 2011. Segundo a administração paulista, caso fosse feito o reajuste com base na inflação acumulada no período, aferido pelo IPC/Fipe, o valor chegaria a R$ 3,40. "O reajuste abaixo da inflação é um esforço da prefeitura para não onerar em excesso os passageiros", disse em nota. 

O prefeito da capital havia declarado que o reajuste poderia ser menor caso o Congresso aprovasse a desoneração do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) para o transporte público. A proposta foi aprovada, mas não houve manifestação da administração municipal sobre redução das tarifas.

 

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Fonte: Terra
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