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Socorro a vítimas de ataque em creche une desconhecidos

Mecânico levou feridos para hospital após atentado em Santa Catarina; uma das crianças resgatadas por ele sobreviveu

7 mai 2021 18h13
| atualizado às 18h41
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Flores e cartazes são depositadas em homenagem às vítimas do atentado no município de Saudades
Flores e cartazes são depositadas em homenagem às vítimas do atentado no município de Saudades
Foto: William Ricardo / Estadão Conteúdo

Mesmo morando em uma cidade com cerca de 10 mil habitantes, Diego Hübler, funcionário de uma indústria de artigos esportivos, e o mecânico de motos Ezequiel Vargas Pimentel, ainda não se conhecem pessoalmente, mas ficarão eternamente ligados por um sentimento de gratidão.

Diego é o pai de Henrique, criança sobrevivente da tragédia na creche Pró Infância em Saudades, oeste de Santa Catarina. Ezequiel é vizinho da instituição. Ezequiel foi o primeiro a chegar ao local, minutos depois que o jovem Fabiano Kipper Mai invadiu a escola e matou cinco pessoas, sendo duas professoras e três crianças menores de dois anos.

"Eu estava na oficina quando ouvi os gritos de socorro. Já tinha professoras do lado de fora falando que tinha um homem matando as crianças! Eu não pensei muito, entrei na creche sem nada pra me defender. Logo que eu entrei já vi a professora morta e as quatro crianças feridas. Eu vi um homem bem vestido, mas pensei que ele fosse um funcionário da creche ou algo assim, não sabia que ele era quem tinha matado. Eu só peguei duas crianças no colo e levei pra fora", conta.

As duas crianças feridas com a espada que Fabiano Kipper Mai usou para cometer os crimes foram levadas ao hospital no carro do mecânico.

Policial segura a adaga usada por Fabiano Kipper Mai no ataque
Policial segura a adaga usada por Fabiano Kipper Mai no ataque
Foto: William Ricardo / Estadão Conteúdo

"Eu não pensei em nada na hora, só queria salvar a vida daquelas crianças. Deixei uma delas com a professora. Peguei a que estava pior, corri até minha esposa, peguei o carro, juntei a outra criança que ficou com a professora e levamos as duas para o hospital. Deixei elas na maca, avisei para mandarem ambulância e voltei correndo para a creche. Quando cheguei, o agressor já tinha sido contido por dois funcionários meus e um senhor que trabalhava na metalúrgica", explica.

Funeral coletivo das vítimas do ataque à escola infantil Aquarela
Funeral coletivo das vítimas do ataque à escola infantil Aquarela
Foto: William Ricardo / Estadão Conteúdo

Apenas uma das crianças, Henrique, de 1 ano e 8 meses, sobreviveu. O menino que teve o pulmão perfurado, permanece internado no Hospital da Criança em Chapecó em observação, não corre mais risco de morte e pode ter alta a qualquer momento.

O tempo ainda não permitiu que Ezequiel e Diego se encontrassem, mas o sentimento de gratidão existe e deverá marcar não só a vida dos pais, mas também a da criança. "A gente quer muito agradecer a ele pessoalmente, porque ele foi corajoso. Deus tocou no coração dele e ele salvou nosso filho. Se ele não estivesse lá naquele momento eu poderia não estar aqui com o meu filho vivo", afirma o pai emocionado.

Já o mecânico, que não tem filhos, diz que não sabe bem explicar o motivo que o fez encarar o risco e ficar frente a frente com o jovem que acabara de cometer os crimes.

"Eu não sou pai, mas na hora eu só pensei nas crianças, pensei nos meus afilhados, ali elas não teriam como se defender e eu, de certa forma, sim. Eu não fiz isso para ser herói, eu não quero glória nenhuma, não espero nada. Eu só queria mesmo que isso não tivesse acontecido", afirmou.

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Estadão
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