Servidores ameaçam indígenas em MS, assumem áudios à PF e alegam "bebedeira"
Investigados pela Polícia Federal afirmam que falas sobre envenenar água de comunidade em Tacuru ocorreram durante tensão pós-eleitoral
A Polícia Federal interrogou dois servidores de Tacuru (MS) que ameaçaram a comunidade indígena Guarani-Kaiowá da Aldeia Sassoró por meio de áudios, nos quais mencionavam envenenar a água local. Os investigados confessaram a autoria das mensagens, mas alegaram embriaguez, tensão pós-eleitoral e falta de intenção real de ataque. Apesar das justificativas, a PF prossegue com a apuração rigorosa para reunir provas e enviar o caso ao Ministério Público e ao Judiciário.
A Polícia Federal ouviu os dois funcionários públicos da prefeitura de Tacuru investigados pelo envio de mensagens de áudio com conteúdo violento direcionado a moradores da Aldeia Sassoró, no sul do estado de Mato Grosso do Sul. Durante o depoimento prestado às autoridades corporativas, os investigados confirmaram o envio do material com conteúdo intimidador, mas alegaram que não pretendiam concretizar o ataque contra a comunidade Guarani-Kaiowá.
Servidores ameaçam indígenas em MS
As apurações foram deflagradas imediatamente após a veiculação de conteúdos digitais que citavam a contaminação da água consumida pela população local. Durante agenda institucional com comitivas governamentais no estado, o diretor de Amazônia e Meio Ambiente da Polícia Federal, Humberto Freire, detalhou que os depoimentos ocorreram logo após a repercussão da denúncia. "Ontem já foram ouvidas essas pessoas, confirmaram a prática dos áudios, mas reafirmaram que foi questão de bebedeira e uma questão de aquecimento da questão política logo após o resultado da eleição, mas que não tinha intuito de materializar a ameaça", apontou a autoridade policial.
No interrogatório conduzido pelos agentes federais, os suspeitos afirmaram que não dispunham de capacidade operacional para executar as agressões verbais proferidas na gravação. "Eles disseram que, de fato, não tinham como materializar aquelas ameaças. Uma das ameaças seria em relação ao envenenamento. Eles chegaram a relacionar, dizer que seria uma brincadeira, que foi uma palavra mal colocada, que foi uma besteira dita", relatou Freire durante a apresentação do andamento do inquérito.
Apesar das justificativas apresentadas pelos depoentes no ato do interrogatório, a corporação reforçou que o encerramento do caso dependerá da colheita de novos elementos probatórios ao longo das diligências. "Obviamente nós não ficamos a cargo do que eles disseram. Nós estamos investigando e vamos concluir a investigação mostrando todos os elementos que colhermos", pontuou o diretor.
O procedimento será submetido à avaliação do Ministério Público e do Poder Judiciário assim que for concluído. "A investigação tem seu curso. A gente conclui a investigação e encaminha para o Sistema de Justiça. Vamos investigar com rigor e com celeridade porque não vamos admitir qualquer tipo de violência contra indígenas ou qualquer tipo de violência contra pessoas com fundo político", finalizou o representante.
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