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Segurança de Coronavac envolve até PM especialista em distúrbio civil e resgate de reféns

Distribuição de doses da Coronavac envolve esforço de guerra; cerca de 30 caminhões saíram do Butantan para abastecer outras cidades

20 jan 2021
17h01
atualizado em 21/1/2021 às 11h06
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Desde que a Anvisa autorizou o uso emergencial da Coronavac no último domingo, 17, um esforço de guerra tem marcado a logística para garantir que as vacinas contra a covid-19 cheguem rápido e em segurança a Estados e municípios brasileiros. Em São Paulo, o governo destacou até policiais especialistas em atuar em manifestações civis e resgate de reféns para proteger as doses do imunizante.

Com a primeira dose aplicada logo após o resultado da Anvisa, a gestão João Doria (PSDB) criou um grupo especial dentro da Polícia Militar só para a escolta da Coronavac. A tropa será responsável por proteger os cerca de 30 caminhões refrigerados que partem do Instituto Butantan, na capital paulista, para abastecer os centros regionais espalhados pela cidade, Grande São Paulo e interior.

Nova companhia da PM é responsável por escoltar Coronavac.
Nova companhia da PM é responsável por escoltar Coronavac.
Foto: PM-SP/Divulgação / Estadão

Estão previstas cerca de 2,1 mil viagens de transporte da vacina no decorrer da campanha no Estado. Temporária, a nova companhia usa armamento pesado e passou a integrar as fileiras do 3.º Batalhão de Choque da PM, considerado com know-how para esse tipo de atividade. Foram homens e mulheres de lá, por exemplo, que haviam trabalhado na segurança de respiradores durante o transporte para hospitais de São Paulo, ainda em 2020, no início da pandemia.

Tradicionalmente, o 3.º Batalhão de Choque atua em ocorrências de controle de distúrbios civis, como manifestações e tumultos. Para a companhia criada agora, a "comissão de vacinas", o governo ainda chamou PMs de outros grupos de elite - entre eles, integrantes da Rota, que faz escolta de autoridades e é conhecido por ser o mais letal dos batalhões de São Paulo.

Também há policiais do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), especializados em resgate de reféns, e do Comando e Operações Especiais (COE). Este último atua em situações de alto risco e com difícil acesso, além de ações contra o narcotráfico e o crime organizado.

A gestão Doria prevê vacinar 9 milhões de pessoas até o fim de março. Para isso, o governo também pretende ampliar de 5,2 mil para até 10 mil salas de vacinação, usando locais como quartéis da PM, farmácias e terminais de transporte público.

Grupo é composto por PMs de tropas de elite.
Grupo é composto por PMs de tropas de elite.
Foto: PM-SP/Divulgação / Estadão

Foram empenhados 25 mil agentes de segurança pública, considerando os contingentes para escolta e para proteção de estoques e postos de saúde - mais de 20% dos 113 mil homens e mulheres que compõem as tropas paulistas. Nos municípios, a defesa das salas de vacinação deve ficar a cargo de tropas territoriais, em parceria com guardas civis.

Segundo o capitão Bruno Penachio de Oliveira, do 3º Batalhão de Choque, não houve registro de incidentes no primeiro dia de escolta. "Recebemos as demandas da Secretaria da Saúde de um dia para o outro e preparamos a logística", diz. "É claro que a gente se atém à importância da vacina, porque ela traz muita expectativa para todo mundo. Mas no planejamento, na operacionalização, a gente trata com a mesma seriedade e empenho de outras missões."

Distribuição pelo País. O Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a Covid-19 foi apresentado pelo Ministério da Saúde ainda em dezembro. Na ocasião, o programa já previa que os imunizantes aprovados pela Anvisa seriam levados para outros Estados a partir do Centro de Distribuição Logístico (CDL), em Guarulhos, na Grande São Paulo.

O CDL é uma unidade operacional da pasta e tem capacidade de expedir até 18,4 milhões de doses por dia, segundo dados do plano do governo Jair Bolsonaro. Lá, as vacinas devem ficar estocadas na área de refrigerados e são mantidas entre 2ºC e 8ºC.

Na segunda-feira, 18, cinco aviões cargueiros da Força Aérea Brasileira (FAB) foram destacados para transportar 44 toneladas de vacina ao Distrito Federal e mais dez Estados, em uma série de rotas com várias escalas. São eles: Amazonas, Amapá, Acre, Rondônia e Roraima, todos na região Norte, além de Ceará e Piauí, no Nordeste; Goiás e Mato Grosso do Sul, no Centro-Oeste, e Santa Catarina, no Sul.

Fazem parte da frota uma aeronave KC-390 Millenium, o maior avião desenvolvido no Brasil capaz de realizar desde missões de evacuação médica a lançamento de cargas de precisão, e uma C-130 Hércules, modelo que já foi usado para combate a focos de incêndio na Amazônia. Também há duas C-97 Brasília e uma C-105 Amazonas.

Para não estragar durante o deslocamento, as vacinas foram acomodadas em caixas térmicas. Como precisam ficar em baixa temperatura, o plano estima perda operacional de 5% para vacinas de vírus atenuado, como a Coronavac e a elaborada por Oxford e Astrazeneca.

A partir do CDL, as doses são levadas até as centrais estaduais, onde há as câmaras frias para armazená-las. Então, as vacinas são distribuídas pelos governos locais para as regionais administrativas de Saúde e, de lá, para os municípios. Entre os Estados, a expectativa é que essa distribuição para o interior ocorra em 24 horas.

A maior parte dessas rotas acontece por estradas e rodovias, sob escolta da Polícia Militar. Há Estados, contudo, que receberam reforço federal - a exemplo do Amazonas, onde a Polícia Federal vai participar da proteção dos lotes, e de Rondônia, com patrulhas da Polícia Federal Rodoviária (PRF) nas estradas.

"O clamor e o afã da população pela vacina da covid-19 traz muita preocupação por problemas sérios que poderão surgir no transporte, nos locais de acondicionamento desses imunobiológicos e principalmente nas salas de vacina", diz o plano estadual de Rondônia. "Além do roubo de doses para comercialização no mercado negro, o órgão prevê que muitos criminosos tentarão vender imunizantes ilícitos ou fraudados."

Na retaguarda, há entre 3,5 mil a 5 mil agentes da tropa de pronta-resposta das Forças Armadas, que pode ser acionada a qualquer momento. Ela é composta por homens do Exército, da Infantaria da Aeronáutica e por fuzileiros navais.

Em meio ao novo pico de coronavírus e até registro de mortes de pacientes asfixiados por falta de oxigênio nos hospitais, o Amazonas prevê que 20 dos seus 62 municípios vão receber vacinas apenas por avião, motivo pelo qual o prazo de entrega é de até três dias. Ainda segundo o plano estadual, em cerca de 5% do território, o acesso só é possível por embarcações. Nessas áreas, as doses devem demorar até cinco dias para chegar.

No Rio Grande do Sul, embora o deslocamento por terra pudesse ser feito em até 6 horas, dois helicópteros e um avião da Secretaria da Segurança Pública transportaram parte dos lotes para as Coordenadorias Regionais de Saúde (CRSs) mais afastadas, como Erechim e Palmeira das Missões. Pela programação, metade das 341,8 mil doses recebidas devem chegar às 18 CRSs do Estado já no primeiro dia.

Atraso. Pela programação original do Ministério da Saúde, as vacinas deveria sair de Guarulhos e seguir por terra para os Estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além de parte do Nordeste. Essas cargas são transportadas em caminhões refrigerados, do tipo baú, com sistema de rastreamento e bloqueio por satélite.

Esse planejamento, no entanto, acabou não sendo executado à risca. Na segunda-feira, 18, já no dia da distribuição do primeiro lote, o Ministério da Saúde fez mudanças na logística, deu preferência ao transporte por aviões e alterou horário de voos que já eram previstos. Além da FAB, foram utilizados aeronaves de companhias aéreas.

Após as mudanças, as doses acabaram chegando mais tarde do que os governadores esperavam em alguns Estados, como Rio de Janeiro, Pará e Rio Grande do Sul. Por causa do atraso, Bahia e Rio Grande do Norte também adiaram cerimônias oficiais e só iniciaram a campanha de vacinação no dia seguinte.

Questionado sobre os relatos de demora ainda na segunda-feira, o ministro Eduardo Pazuello afirmou que o episódio aconteceu porque, a pedido dos próprios governadores, alterou o planejamento inicial para tentar "encurtar" o prazo de entrega. "Nós tínhamos uma previsão de fazer toda a logística hoje, e os Estados fazerem a logística amanhã para os municípios. E, a partir daí, iniciar a campanha na quarta-feira", descreveu.

"Os governadores, em comum acordo, me solicitaram que eu acelerasse ao máximo a distribuição para que eles pudessem começar imediatamente (a vacinação) ainda hoje", disse o general Pazuello. "Então aquilo que era planejado até 8 horas da manhã, para acontecer durante o dia, está sendo encurtado para poder atender o pedido dos governadores. Isso você imagina a mudança da logística para 26 Estados em um país continental como o Brasil."

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