Samarco tem dinheiro para honrar obrigações, garante diretor
A mineradora Samarco, cujos donos são a Vale e a anglo-australiana BHP, está bem posicionada em termos financeiros e possui fluxo de caixa para continuar honrando suas obrigações imediatas, sem necessidade de novos financiamentos. É o que garantiu o Eduardo Bahia, diretor financeiro da mineradora, em teleconferência com investidores e analistas, duas semanas após o rompimento da barragem de rejeito de minério de ferro de Fundão, na unidade industrial de Germano, em Mariana.
O executivo destacou que a Samarco deve demorar pelo menos seis meses para descobrir as reais causas da tragédia. “A nossa prioridade é tratar os problemas imediatos. Estamos concentrando nossos esforços no atendimento das famílias atingidas e na busca dos desaparecidos”, explicou Bahia, acrescentando que a mineradora está, no momento, executando seu "plano A" para encontrar uma resposta ao incidente.
Durante a teleconferência, Bahia afirmou que as barragens e diques da Samarco estão estáveis e pontuou que a empresa tem tomado medidas para reforçá-los antes de pedir novas licenças para voltar a operar.
“Estamos trabalhando para que o rio Doce volte a ser potável. Com nosso plano, pretendemos remediar os danos ambientais provocados pela descida uma avalanche de lama e rejeito da barragem”.
A iniciativa de realizar a teleconferência era tranquilizar os investidores, que ficaram preocupados com o impacto financeiro da tragédia e questionavam a capacidade da mineradora de retomar suas atividades no futuro.
Multa à vista
Na quarta-feira (18), a Justiça Federal solicitou que a Samarco apresentasse em 24 horas um plano de contenção que evite a contaminação do litoral do Espírito Santo. O juiz da 3ª Vara Federal do Estado também pediu que mineradora elaborasse um relatório das ações já executadas.
Caso a Samarco não cumpra a solicitação, terá que pagar multa diária de R$ 10 milhões, segundo determinação da Justiça. A mineradora confirmou ter recebido o pedido da justiça e informou, por meio de nota, “que irá analisar cuidadosamente o que é requerido”.
Na semana passada, a mineradora foi multada pelo Ibama em R$ 250 milhões, pelos danos ao meio ambiente decorrentes do rompimento da barragem de Fundão, da mina Germano, principalmente por comprometer as águas da bacia do Rio Doce. Até o momento, foram cinco autos de infração no valor de R$ 50 milhões cada, o máximo previsto na Lei de Crimes Ambientais.