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Prefeitura anuncia resultado de concurso do Parque do Bixiga: conheça proposta eleita

Vencedor receberá prêmio de R$ 130 mil e será contratado pela Prefeitura para desenvolver etapas seguintes do projeto

4 mai 2026 - 13h51
(atualizado às 16h41)
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A Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) de São Paulo divulgou nesta segunda-feira, 4, o resultado final do concurso de arquitetura que vai definir o projeto do Parque Municipal do Bixiga, que será implantado no cruzamento das ruas Jaceguai e Abolição, na Bela Vista.

Em parceria com o Instituto de Arquitetos do Brasil, foi selecionado o trabalho liderado pelo arquiteto Antonio Roberto Zanolla, do escritório Democratic Architects, de São Paulo.

Projeto vencedor de concurso para o Parque do Bixiga é o escritório Democratic Architects, de São Paulo, comandado por Antonio Roberto Zanolla
Projeto vencedor de concurso para o Parque do Bixiga é o escritório Democratic Architects, de São Paulo, comandado por Antonio Roberto Zanolla
Foto: Democratic Architects/Reprodução / Estadão

O vencedor receberá o prêmio de R$ 130 mil e será contratado pela Prefeitura para o desenvolvimento das etapas seguintes dos projetos de arquitetura, urbanismo e paisagismo do parque.

O concurso teve como premissa a renaturalização (processo de restaurar ecossistemas degradados) do Córrego Bixiga, hoje canalizado e soterrado, no trecho em que atravessa a área do futuro parque.

Segundo a comissão julgadora, o projeto vencedor se destacou por ser um "sistema aberto", em que o o tratamento e desenho do córrego renaturalizado "assumem o protagonismo do lugar e proporcionam, por meio de passeios e passarelas, maneiras distintas e múltiplas de aproximação da água".

Parque do Bixiga, conforme projeto pelo escritório paulistano Democratic Architects. Imagem ilustrativa
Parque do Bixiga, conforme projeto pelo escritório paulistano Democratic Architects. Imagem ilustrativa
Foto: Democratic Architects/Divulgação / Estadão

Outro ponto positivo destacado pela comissão foi a "simplicidade de execução e operação, dispensando intervenções custosas ou manutenções complexas".

Também serão premiados o segundo e terceiro lugar, respectivamente com R$ 60 mil e R$ 40 mil, para os quais foram escolhidos os projetos liderados pelos arquitetos Marcello Cusano Lindgren, de Vila Velha (ES), e Duarte Vaz Guedes e Silva (Rio de Janeiro - RJ).

A comissão reconheceu ainda em quarto lugar a proposta liderada por Manoel Belisario Bezerra Viana (Umari- CE), e em quinto lugar a de Mario Arturo Figueroa Rosales (SP). Receberam menções honrosas as propostas lideradas por Vinicius da Costa Lopes (SP) e Lua Nitsche (SP).

O concurso

Lançado em 25 de janeiro, o concurso teve um total de 82 inscritos e 64 propostas entregues. Segundo o cronograma, o prazo para apresentação de recurso vai de 4 a 7 de maio e o resultado definitivo e homologação do concurso ocorre em 17 de maio.

Representantes de movimentos sociais e do Teatro Oficina, historicamente envolvidos na demanda de criação do parque, participaram da divulgação.

Apesar do clima de comemoração, moradores demonstraram preocupação com o risco de expulsão da população local em função da valorização imobiliária promovida pelo parque.

"Sabemos que esse anúncio é suficiente para impulsionar a gentrificação e a expulsão da população negra, quilombola, nordestina, imigrante e artística do Bixiga", disse Solange Sant'Ana, membro do conselho gestor do Parque do Bixiga. Em paralelo à criação do parque, os moradores reivindicam a regulamentação do bairro como Território de Interesse da Cultura e da Paisagem, conforme definido pela revisão do Plano Diretor em 2023.

Praças abertas, horta e integração com teatro

A proposta eleita pelo concurso organiza o terreno do parque em duas partes: um setor alto, com programas sociais e esportivos e grande parte das edificações, e um setor baixo, com um bosque agroecológico e a renaturalização do córrego, acompanhado de caminhos e passarelas.

Vista aérea do Parque do Bixiga, projetado pelo escritório paulistano Democratic Architects. Imagem ilustrativa
Vista aérea do Parque do Bixiga, projetado pelo escritório paulistano Democratic Architects. Imagem ilustrativa
Foto: Democratic Architects/Divulgação / Estadão

Conforme o parecer da comissão julgadora, o projeto da Democratic Architects demonstra capacidade de acomodar múltiplos usos e apropriações, tem uma boa articulação de espaços diversificados e relação com o entorno.

Essa última fica patente pela criação de praças de acesso abertas 24h, com oferta de banheiros públicos e da horta junto à Rua Jaceguai, que "reforça o desejo de acolhimento e de integração com a comunidade local", valorizando a iniciativa de plantio que já existe no local. Também há integração com o Teatro Oficina, simultaneamente preservando seu espaço.

Entrada do Parque do Bixiga, segundo projetado pelo escritório paulistano Democratic Architects. Imagem ilustrativa
Entrada do Parque do Bixiga, segundo projetado pelo escritório paulistano Democratic Architects. Imagem ilustrativa
Foto: Democratic Architects/Divulgação / Estadão

Parque do Bixiga foi grande sonho de Zé Celso

A área de 11,1 mil m² do parque foi adquirida pela Prefeitura de São Paulo em agosto de 2024 por R$ 65 milhões. O poder municipal e o Sisan Empreendimentos, do Grupo Silvio Santos, dono do local desde a década de 1980, entraram em um acordo após quatro décadas de mobilização popular pela construção do parque.

O principal idealizador do parque foi o dramaturgo José Celso Martinez Corrêa, morto em julho de 2023. Em manifestos, performances e mobilizações públicas, Zé Celso juntou apoiadores diversos contra a construção de edifícios no entorno do Teatro Oficina, que se localiza na Rua Jaceguai, desde os anos 1960.

Entre as vitórias de Zé Celso após a venda dos imóveis vizinhos à Sisan Empreendimentos está o tombamento da sede da companhia nas esferas municipal, estadual e federal (com diferentes perfis e propostas de proteção). O imóvel tem projeto da reconhecida arquiteta Lina Bo Bardi (conhecida especialmente pelo Masp e o Sesc Pompeia), em conjunto com Edson Elito.

A mobilização contra construções no entorno do parque cresceu especialmente após o ano de 2000, quando foi aprovado um projeto para construir um shopping no local. Outra proposta que incorporava o teatro ao centro comercial foi apresentada quatro anos depois, também criticada pelo Oficina e posteriormente abandonada pela iniciativa privada.

Depois do shopping, foi a vez das torres. Em 2008, a Sisan propôs erguer um condomínio de três prédios. A obra teve entraves para a aprovação, chegou a obter decisões favoráveis nos órgãos municipal e estadual de patrimônio ao longo daquela década e da seguinte, mas não saiu do papel.

Estadão
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