PR: no 2º dia de greve, ônibus voltam às ruas, mas trânsito tem transtornos
Sindicato dos motoristas e cobradores cumpre decisão judicial e coloca 50% da frota nas rua de Curitiba nos horários de pico e 30% nos demais horários
No segundo dia de greve de motoristas e cobradores do transporte coletivo em Curitiba, os passageiros já tiveram acesso aos ônibus, mas ainda em número reduzido. Os ônibus expressos, que circulam em canaletas exclusivas, circulam com mais frequência, diferentemente das linhas que fazem trajetos pelos bairros, onde os usuários encontram mais dificuldades.
O Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Curitiba e Região (Sindimoc) decidiu acatar a determinação da Justiça do Trabalho para colocar na rua 50% da frota nos horários de pico e 30% nos demais horários, sob pena de multa. O sindicato afirma está cumprindo a decisão, enquanto a Urbs, que gerencia o transporte coletivo na cidade, informou que a quantidade de ônibus nas ruas era menor do que o combinado por volta das 7h. Alguns pontos e estações tubo estão bastante cheios. Os ônibus que vão em direção ao centro de Curitiba estão mais lotados em relação àqueles que vão no sentido dos bairros. O trânsito segue congestionado.
Apesar do retorno de parte do serviço, os passageiros ainda enfrentam transtornos e precisam adotar medidas alternativas para poder chegar ao trabalho. A recepcionista Suelyn Tavares mora em Fazenda Rio Grande, na região metropolitana de Curitiba, e demorou ontem três horas para chegar ao trabalho. Isso porque o marido dela estava de férias e conseguiu levá-la de carro. Para evitar mais transtornos, ela dormiu na casa da mãe em Curitiba para ficar mais perto do trabalho. Hoje ela pegou o ônibus para cumprir o trajeto. "Não sei se vai ficar mais tranquilo depois. Estou com medo da volta porque hoje eu tenho que ir para casa e terei que voltar de ônibus", comentou.
A secretária Susana da Costa Mendes teve dificuldades hoje pela manhã para pegar o ônibus que circula pelo bairro onde mora e que leva até o terminal do Boa Vista. "Vim no ônibus mais do que lotado. No terminal, não consegui entrar no primeiro expresso de tão cheio. Demorou, mas consegui chegar ao trabalho", afirmou. Ela também está apreensiva para o retorno para casa, no final da tarde. "Ontem, quando anunciaram que parte da frota estava retornando às ruas, eu esperei meia hora na estação tubo, mas não vinha ônibus. Peguei uma van até o centro da cidade. Fui andando até tentar encontrar um ônibus, mas não consegui. O jeito foi pegar uma van até o terminal do Boa Vista e andar 15 minutos a pé para chegar em casa. E gastei R$ 12 com as lotações", contou.
Hoje, às 14h, será realizada mais uma audiência na tentativa de acordo entre patrões e empregados no Tribunal Regional do Trabalho. No encontro de ontem, houve avanço apenas nas proporções de retorno da frota às ruas. Os motoristas reivindicam um aumento salarial real de 16% e os cobradores querem 22%, além da reposição da inflação. O reajuste da tarifa do transporte coletivo de Curitiba seria anunciado nesta semana, mas a divulgação foi adiada para esperar o desfecho da greve e contabilizar o quanto o aumento salarial dos funcionários vai impactar no preço da passagem.