'Para mim, ela estava protegida na escola', diz mãe de jovem morta em ataque em SP
Estudante morreu após aluno de 16 anos atirar contra três pessoas dentro da Escola Estadual Sapopemba
Os pais da aluna morta no ataque a Escola Estadual Sapopemba, na Zona Leste de São Paulo, contaram em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, exibida no domingo, 29, que não imaginavam que era a filha deles que tinha sido atingida pelos disparos de arma de fogo dentro da instituição de ensino.
"Eu não pensei que era com ela, porque, para mim, ela estava protegida na escola", disse Mariza Carvalho, mãe da jovem. Ela recebeu a confirmação da morte da filha no hospital.
"Era como se tivesse arrancado a metade, a maior metade de mim", relata Denis Bezerra, pai da jovem. "Eu defino ela como meu amor, a minha vida. Ali estava indo uma parte da minha vida", afirma Mariza.
Segundo a mãe, um dia antes do ataque, a filha tinha ido ao teatro com amigos. "Ela gostou tanto da peça, que falava sobre saudade, afeto", lembrou.
Conforme contaram os familiares, a jovem era uma menina alegre, gostava de praticar esportes, de cantar e dançar e de ir à igreja. Ela tinha o sonho de ser advogada.
As outras adolescentes atingidas também conversaram com a reportagem e disseram que está sendo muito difícil de assimilar o ocorrido. "Na minha cabeça, alguém vai entrar na minha janela e vai repetir toda aquela cena", disse uma delas.
"O que mais dói é quando eu paro e penso que a gente tinha uma amizade. O que deu pra ele [o aluno que atirou] fazer isso comigo", comentou a outra jovem.
O ataque
Um estudante de 16 anos atirou contra três pessoas no dia 23 de outubro dentro da Escola Estadual Sapopemba. Uma das alunas não resistiu aos ferimentos e morreu após dar entrada em um hospital da região. As outras vítimas atingidas passam bem. Uma quarta estudante teve ferimentos leves ao tentar fugir do atirador.
Após o ataque, o jovem deu a arma, de calibre.38 e que pertencia ao pai dele, para a coordenadora da escola e se entregou à Polícia. Ele foi levado para a 70º DP da cidade, onde foi ouvido e encaminhado a um centro de recuperação para menores infratores. O pai do menino foi indiciado por posse irregular de arma de fogo e omissão de cautela.
Segundo relatos de estudantes ao Terra, o atirador sofria bullying por ser homossexual. Mas, conforme informações preliminares, a vítima fatal não tinha relação com os ataques homofóbicos sofridos pelo jovem de 16 anos. Ela teria sido a primeira pessoa vista por ele e acabou sendo atingida. Nas investigações, a Polícia Civil de São Paulo também trabalha com a hipótese de mais envolvidos no ataque à escola.
Mensagens em redes sociais
O Fantástico também teve acesso a mensagens, fotos e transmissões em uma rede social do adolescente. Segundo a reportagem, ele participava de um grupo que prega o nazismo, incentiva a automutilação e compartilha materiais de pornografia infantil. No grupo, ele teria falado sobre o ataque que faria à escola e disse que não era por causa de bullying.
À emissora, os advogados do jovem disseram que ele sofria bullying, mas que não podem dar detalhes antes da primeira audiência na Justiça. Além disso, afirmaram que vão recorrer do indiciamento do pai do adolescente.
Questionada sobre o comportamento do jovem nas redes sociais, a diretora de projetos especiais da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, Bety Tichauer, disse que esse trabalho é de responsabilidade da Secretaria de Segurança.
"É lá que se faz monitoramentos em redes sociais dentro das escolas, através dos próprios professores ou dos diretores que identificam algum indício de que possa acontecer algum tipo de ocorrência", afirmou.
Sobre o que o Governo vai fazer para proteger os estudantes a partir de agora, ela disse que "o foco inicial são as ações de acolhimento e, em seguida, a gente vai começar a desenvolver e ter novos anúncios. Problemas complexos exigem respostas bastante complexas para resolução".
ATENÇÃO: Se você sofre algum tipo de bullying na escola ou cyberbullying de colegas na internet, faça a denúncia no Disque 100 – Disque Direitos Humanos. A ligação é gratuita e o atendimento é feito 24 horas por dia. Para receber atendimento ou fazer denúncias pelo WhatsApp, basta enviar mensagem para o número 61 99656-5008. Também é possível ser atendido pelo Telegram, basta digitar "Direitoshumanosbrasil" na busca do aplicativo. Após uma mensagem automática inicial, o atendimento será realizado pela equipe do Disque 100.
Se você é pai, mãe ou responsável por uma vítima de bullying, converse com ele(a). Procure a direção da escola para tentar solucionar o problema entre os envolvidos e suas famílias. Se o(a) diretor(a) não tomar nenhuma atitude, formalize a denúncia em casos mais graves no Conselho Tutelar ou na polícia da sua cidade.