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Nível do Cantareira entra em faixa de alerta e Sabesp terá que reduzir captação de água

Sistema que abastece metade da população da Grande São Paulo fechou junho com 39,87% do volume útil; mudança não prevê cortes no abastecimento nem racionamento

1 jul 2026 - 14h09
(atualizado em 2/7/2026 às 19h26)
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O nível do Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de água de metade da população da Grande São Paulo, passou a operar nesta quarta-feira, 1º, na faixa de alerta, segundo a Agência Nacional de Águas (ANA) e a Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas), que fazem a gestão compartilhada do sistema.

O Cantareira fechou o mês de junho com 39,87% do volume útil, abaixo dos 40,52% registrados no fim de maio. Com o volume entre 30% e 40%, o sistema passou da faixa de atenção para a de alerta, como prevê a resolução que trata da operação dos reservatórios.

A mudança obriga a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) a reduzir a captação de água do Cantareira de até 31 metros cúbicos por segundo para até 27 m³/s. A redução na captação não significa que a população terá efeitos imediatos como redução no abastecimento ou racionamento de água. Restrições como essas dependem do volume de todo o sistema de abastecimento da região.

20/10/2025 SISTEMA CANTAREIRA - O Sistema Cantareira fechou setembro no pior nível para o mês desde 2015
20/10/2025 SISTEMA CANTAREIRA - O Sistema Cantareira fechou setembro no pior nível para o mês desde 2015
Foto: Reprodução/TV Globo / Estadão

Para mitigar os impactos da redução da captação, a Sabesp também poderá utilizar neste mês a vazão eventualmente transposta no reservatório da Usina Hidrelétrica (UHE) Jaguari, na bacia do rio Paraíba do Sul. Desde 2018, há uma interligação entre a represa da usina e a represa Atibainha.

O Sistema Cantareira é composto pelos reservatórios interligados Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro, com volume útil total de 981,5 bilhões de litros. Embora os reservatórios do Cantareira estejam em território paulista, parte das águas provém de rios com nascentes e trechos em Minas Gerais.

No comunicado sobre a entrada na faixa de alerta, as agências ANA e SP Águas reforçaram a importância de adoção de medidas de uso racional da água "para preservar o volume de água armazenado nos reservatórios do sistema".

Período seco

Desde o início do junho, o sistema está no chamado período seco, que vai até 30 de novembro de 2026. Entre o fim de 2025 e o início deste ano, o Cantareira passou cinco meses em nível crítico, operando na faixa de restrição (4). Somente em fevereiro, com o registro de chuvas acima da média, o sistema retornou ao nível de alerta (faixa 3).

Em abril, os reservatórios que abastecem a região metropolitana de São Paulo registraram o pior nível desde 2016 para o mês - que marca o fim da estação chuvosa e a transição para o período seco. O Cantareira, principal responsável pelo abastecimento da região, registrou neste verão o pior patamar desde a crise hídrica de 2014/2015.

A temporada chuvosa de 2026 na Grande São Paulo, encerrada em março, trouxe uma recuperação parcial do nível dos reservatórios que abastecem os mais de 20 milhões de habitantes da região metropolitana.

O que diz a Sabesp

Procurada pelo Estadão, a Sabesp informou que as projeções operacionais para 2026 "confirmam a segurança do abastecimento, mesmo em diferentes cenários hidrológicos". "A Sabesp acompanha continuamente a evolução dos níveis dos reservatórios, das vazões e das condições climáticas, ajustando a operação conforme as regras técnicas e regulatórias", afirmou.

Segundo a companhia, entre as medidas adotadas para reforçar a segurança hídrica, está a redução da pressão noturna da água no período de menor consumo. "Desde o início da operação, em agosto de 2025, já foram economizados cerca de 160 bilhões de litros de água, volume equivalente ao consumo mensal de aproximadamente 28 milhões de pessoas."

Além disso, a Sabesp afirmou que os imóveis que possuem caixa-d'água dimensionada conforme as normas técnicas normalmente não sofrem impactos com a redução da pressão. A companhia também informou que, desde 2024, investe cerca de R$ 1 bilhão por ano em ações de redução de perdas no sistema de abastecimento.

Estadão
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