Script = https://s1.trrsf.com/update-1765905308/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

'Não reconheço mais meu bairro', diz moradora de Teresópolis

13 jan 2011 - 12h16
(atualizado às 13h21)
Compartilhar

O município de Teresópolis, na Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro, continua sofrendo nesta quinta-feira com os efeitos das fortes chuvas. No bairro do Caleme, no subúrbio da cidade, onde dezenas de mortes já foram registradas, as ruas ainda estão cobertas de lama. A operadora da caixa Sonia de Fátima da Silva, 40 anos, disse que o desespero tomou conta do local nos últimos dias. "Estamos no meio de um caos, não reconhecemos mais o nosso bairro. Eu acredito que serão necessários vários anos para recuperar um pouco o que foi destruído, sem falar das vidas, que não voltam mais", afirmou.

12.01 - Teresópolis/RJ: Casas ficaram completamente destruídas pelos deslizamentos
12.01 - Teresópolis/RJ: Casas ficaram completamente destruídas pelos deslizamentos
Foto: Vladimir Platonow / Agência Brasil

O poder destrutivo das águas impressiona. Há postes de luz no chão, carros afundados no barro e casas totalmente desabadas. Quase toda a extensão do bairro pode ser percorrida somente a pé. O acúmulo de água entre as ruas forma verdadeiros rios. Moradores atravessam a área em grupos, usando pontes improvisadas com tábuas de madeira. Uma chuva fina caiu na região durante toda a manhã desta quinta-feira no bairro e, com isso, muitas famílias decidiram abandonar o local, com medo de novos desabamentos nas encostas.

A moradora Marilza Ferreira de Campos, 50 anos, perdeu oito familiares nos desabamentos causados pelo forte temporal da madrugada de quarta-feira. "Foi muito rápido, a gente estava dentro de casa e, quando vimos, já tinha descido tudo, todo o barranco", relatou. Entre os mortos estão um filho, a nora, dois netos e alguns sobrinhos. Agora Marilza tem dificuldade de localizar outros amigos e parentes, já que o bairro está sem rede de luz e telefonia.

No bairro de Posse, o cenário de destruição é ainda pior. Ao passar pelas ruas é possível ver carros jogados contra paredes e portas pela força das enchentes. Num condomínio de luxo, quatro corpos estavam a céu aberto, esperando a chegada das equipes de resgate.

Em outra área, enquanto as escavadoras aceleravam os trabalhos de limpeza das ruas, os próprios moradores tentavam verificar a situação das casas e recuperar alguns pertences. Carmen Lucia, 60 anos, lembra que saiu pela janela durante o temporal de quarta-feira. Ao tentar voltar, encontrou a casa completamente inundada. "Sou nascida e criada aqui, estou acostumada com enchente, mas não assim igual a essa. Veio levando tudo o que tinha em frente", contou. Mesmo assim, ela agradece por não ter perdido nenhum parente. "Graças a Deus estamos vivos. Perdemos quase todos os nossos bens materiais. Mas podemos trabalhar e reconstituir tudo", disse.

Até a manhã desta quinta-feira, mais de 360 mortes haviam sido registradas na região serrana do Rio, e os bombeiros continuam com os trabalhos de resgate, já que há muitos desaparecidos. A situação preocupa porque as chuvas seguem atingindo a região, embora com menor intensidade.

EFE   
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra