MST deixa fazenda após derrubada de pés de laranja em SP
- Wagner Carvalho
- Direto de Bauru
A Polícia Militar (PM) realizou nesta manhã operação de reintegração de posse na fazenda Santo Henrique, da empresa Cutrale, em Borebi (SP), que estava ocupada por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Segundo a PM, a reintegração começou por volta das 10h20 e não ocorreram confrontos.
Cerca de 450 famílias, divididas em dois acampamentos, deixaram o local em cinco caminhões - quatro da Polícia Militar e um dos sem terra -, além de 30 carros de propriedade dos trabalhadores rurais. A PM continua no local para desmontar as barracas e retirar lixo e objetos do local. A previsão é terminar os trabalhos às 15h.
Derrubada de pés de laranja
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) divulgou nota na terça-feira afirmando que a derrubada de pés de laranja das terras usadas pela Sucocítrico Cutrale aconteceu para questionar a grilagem de terras públicas.
A área possui mais de 2,7 mil hectares e faz parte do chamado Núcleo Monções, um complexo de 30 mil hectares divididos em várias fazendas e, segundo o MST, de posse legal da União. O movimento alega que a ocupação tem como objetivo denunciar que a empresa está sediada em terras do governo federal, ou seja, seriam utilizadas de forma irregular pela produtora de sucos.
"Como forma de legitimar a grilagem, a Cutrale, maior produtora mundial de sucos de laranja, realizou irregularmente o plantio de laranja em terras da União. A produtividade da área não pode esconder que a Cutrale grilou terras públicas, que estão sendo utilizadas de forma ilegal, sendo que, neste caso, a laranja é o símbolo da irregularidade", diz a nota no MST.