Script = https://s1.trrsf.com/update-1765905308/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

MP acusou Marcola, líder do PCC, de mandar matar Ruy Ferraz Fontes em investigação de 2019

Ex-delegado geral foi morto em emboscada nesta segunda, 15, na Praia Grande. Ele atuou anos contra o crime organizado e foi responsável pelo indiciamento de Marcos Willians Herbas Camacho

16 set 2025 - 08h07
(atualizado às 08h11)
Compartilhar
Exibir comentários

Em 2019, uma investigação do Ministério Público de São Paulo apontou que um dos principais líderes do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, o "Marcola", ordenou, de dentro da prisão, o assassinato de agentes públicos, dentre eles, o de Ruy Ferraz Fontes. O ex-delegado geral foi morto na noite desta segunda-feira, 15, em uma emboscada na Baixada Santista.

"Disciplina Cidade Tiradentes. Irmãos responsáveis: Koringa, Mimo, Barata, Terere, Corinthiano. Missão: delegado Ruy Ferraz Fontes", destaca o MP em documento ao qual o Estadão teve acesso.

"A sintonia geral vem cobrando o resultado dos trampos passados para nossos irmãos da zona leste e ABC contra vermes que vem prejudicando o andamento dos trabalhos da família FM ABCD (Santo André, São Bernardo, São Caetano do Sul e Diadema", dizem os faccionados em trocas de mensagens que constam no documento.

"Deixando claro que os interesses do comando estão à frente de qualquer outro. Está determinado que seja feito de bate pronto esses trampos", encerra a mensagem.

Quando atuava à frente do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Fontes comandou parte das investigações sobre os atentados praticados pelo PCC no Estado. Foi ele quem indiciou Marcola e a mulher do líder da facção por lavagem de dinheiro da organização criminosa.

Assaltos e preocupação

Em dezembro de 2023, Fontes sofreu um assalto, na Praia Grande, litoral paulista. Na época, ele já demonstrava preocupação com sua segurança e de familiares, após anos de atuação contra o Primeiro Comando da Capital (PCC).

"Combati esses caras durante tantos anos e agora os bandidos sabem onde moro. Minha família, agora, quer que eu deixe o emprego em Praia Grande e saia de São Paulo", disse ao Estadão após o episódio. Ele ainda apontava estar preocupado com a exposição do assalto na mídia e que sua família se sentia ameaçada.

Ele e a mulher saíam de um restaurante e iam para casa quando foram abordados. Um dos criminosos apontou a arma para a cabeça do ex-policial. Foram roubados celulares, joias, cartões e a moto do casal. Os suspeitos foram presos em flagrante, e os bens, recuperados. Na época, Fontes atuava como secretário da Administração na prefeitura de Praia Grande.

Ruy Ferraz Fontes foi assassinado em emboscada nesta segunda-feira, 15
Ruy Ferraz Fontes foi assassinado em emboscada nesta segunda-feira, 15
Foto: Tiago Queiroz/Estadão / Estadão

Em maio de 2022, o ex-delegado-geral foi vítima de um assalto, mas na Avenida do Estado, zona sul da capital. Uma dupla em uma motocicleta o abordou, mas desistiu ao perceber que o veículo que Fontes dirigia era blindado.

Dois anos antes, em 2020, Fontes sofreu uma emboscada de assaltantes no Ipiranga. Ele reagiu e chegou a balear um dos criminosos, que conseguiu fugir. Já em 2012, o ex-chefe da Polícia Civil foi abordado por dois homens na Via Anchieta, no ABC.

Houve troca de tiros e um dos suspeitos morreu. Fontes estava junto de uma investigadora da Polícia Civil. Ela foi atingida no pescoço e ficou internada por 45 dias após passar por cirurgia.

Execução no litoral paulista

Fontes era atualmente secretário de Administração Pública de Praia Grande e despachou na prefeitura normalmente nesta segunda-feira. Quinze minutos antes de sair do prédio, conversou por telefone com o procurador de Justiça Márcio Christino. "Fui o último a conversar com ele. Ele não estava fazendo nada ligado à segurança, estava afastado da área", afirmou o procurador.

De acordo com o procurador, Fontes saiu da prefeitura e foi seguido por bandidos em uma Hilux. Imagens de câmeras de segurança mostram que o ex-delegado estava em alta velocidade, provavelmente fugindo dos bandidos, quando entrou em um cruzamento e foi atingido por um ônibus. Seu carro capotou e ficou imprensado. Três bandidos descem então da picape com fuzis e atiram no delegado, que reagiu.

Para promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo (Gaeco) ouvidos pelo Estadão, "tudo indica que foi um crime de máfia". Outra hipótese investigada pela polícia é a possibilidade de o crime estar ligado a uma licitação na Prefeitura de Praia Grande que teria prejudicado uma entidade ligada aos criminosos. No começo da noite, um carro suspeito de ter sido usado pelos bandidos foi encontrado em chamas.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse que irá dedicar "toda energia" à investigação do crime. "Com pesar, lamentamos profundamente o assassinato de um policial com muitos anos de trabalho dedicados à corporação, que ocupou inclusive seu posto mais elevado. Iremos dedicar toda energia à investigação do crime", disse em nota.

Estadão
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade