Ministério Público investiga rompimento de barragem no Piauí
Yala Sena
Direto de Teresina
Após a confirmação de quatro mortes, o promotor do município de Cocal, no norte do Piauí, Maurício Gomes de Sousa, anunciou na noite desta quinta-feira que abrirá um procedimento investigatório para apurar a responsabilidade no rompimento da barragem de Algodões I.
No fim da tarde de quarta-feira, a força da água nas cidades de Cocal e Buriti dos Lopes arrastou casas, matou animais e causou o afogamento de um casal de aposentado e suas duas netas. Conforme dados enviados pela Defesa Civil Nacional, em Cocal, são 953 desalojados, 2.000 desabrigados, 80 feridos leves, 4 mortes e um total de 2.953 pessoas afetadas, além de 120 casas destruídas, 11 desaparecidos, mas equipes do Corpo de Bombeiros ainda não retornaram das buscas. Foram disponibilizados dez abrigos entre abrigos e igrejas.
O promotor disse que vai responsabilizar civil e criminalmente o governo do Estado, a Empresa de Gestão de Empresas do Piauí (Emgerpi) e o município de Cocal. A investigação é com base na garantia dada pelo governo de que não havia risco de rompimento da represa.
"Semana passada, recebemos um documento com ata de reunião em que o engenheiro contratado pelo governo coloca que não havia risco de rompimento, mas destaca que era indispensável o serviço de segurança na barragem. Isso mostra que havia risco de um acidente", disse o promotor que vai responsabilizar o engenheiro Luis Hernani Carvalho, que emitiu o laudo de que era seguro o retorno das 10 mil pessoas.
O procurador do Ministério Público Federal, Kelston Lages, anunciou também que pedirá a investigação no acidente. O procurador da República disse que o MPF está colhendo informações sobre o caso. O Ministério Público do Estado também avalia se a responsabilidade pelo rompimento da barragem é do engenheiro ou do Estado.
Nesta sexta-feira, mais três helicópteros chegarão a Cocal para reforçar as buscas e ajudar no resgate e transportes das pessoas.