Júri do caso Sarah é dissolvido após defesa abandonar plenário; MP critica decisão
Ministério Público afirma que defensores de dois acusados deixaram a sessão após pedido de dissolução do julgamento ser negado pelo juiz
O júri dos três réus pelos assassinatos da estudante Sarah Domingues e do comerciante Valdir Pereira foi dissolvido em Porto Alegre após os advogados de defesa abandonarem a sessão de mais de dez horas. O Ministério Público repudiou a atitude, classificando-a como desrespeito e revitimização das famílias, já que o julgamento terá que ser remarcado. Os réus, presos desde fevereiro de 2024, respondem por duplo homicídio qualificado. Uma nova data ainda será definida pelo Judiciário.
O Tribunal do Júri dos três acusados pelas mortes da estudante Sarah Domingues, de 28 anos, e do comerciante Valdir dos Santos Pereira, de 53, foi dissolvido na noite desta quinta-feira (17), após mais de 10 horas de sessão no Foro Central de Porto Alegre. O julgamento deverá ser remarcado.
Em nota divulgada nesta sexta-feira (18), o Ministério Público do Rio Grande do Sul afirmou que se opõe à postura das defesas de dois dos acusados. Segundo a promotora de Justiça Lúcia Helena Callegari, os defensores solicitaram ao juiz a dissolução do julgamento. Diante da negativa, conforme o MP, os advogados optaram por deixar o plenário e abandonar a sessão.
Para o Ministério Público, a interrupção do júri provoca a revitimização dos familiares de Sarah e prolonga o sofrimento causado pela espera pela conclusão do processo.
"Abandono de plenário não é recurso, abandono de plenário é desrespeito com as famílias das vítimas", declarou a promotora Lúcia Helena Callegari.
No início da sessão, o advogado Nilson de Souza Gaya, que representa Leonardo da Silva Mallet, de 57 anos, solicitou a dissolução do Conselho de Sentença, alegando estar no prazo regimental da defesa e que não foi dado tempo devido. O pedido, no entanto, foi rejeitado pelo juiz Francisco Luís Morsch, e a sessão prosseguiu normalmente.
O TJRS confirmou a dissolução do júri após mais de 10 horas de sessão.
Os réus Leonardo da Silva Mallet, Irineo Lopes Kaiper, de 53 anos, e Jessé Gonçalves Kaiper, de 26, respondem por duplo homicídio qualificado, por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa das vítimas, além de emprego de arma de fogo. Os três estão presos desde fevereiro de 2024.
Sarah foi morta a tiros em 23 de janeiro de 2024, na Ilha das Flores, em Porto Alegre. A estudante de Arquitetura e Urbanismo da UFRGS realizava uma pesquisa para o Trabalho de Conclusão de Curso sobre as enchentes nas ilhas quando foi atingida pelos disparos. O comerciante Valdir dos Santos Pereira também morreu no ataque. Segundo a investigação, ele seria o alvo dos criminosos.
Antes da interrupção dos trabalhos, a mãe de Sarah, Marta Domingues, prestou depoimento e relatou o impacto da morte da filha para a família. Vinda de São Paulo para acompanhar o julgamento, ela voltou a pedir justiça e lembrou dos planos interrompidos pela morte da estudante, que estava prestes a concluir a graduação em Arquitetura e Urbanismo e tinha projetos pessoais e profissionais em andamento.
Familiares, amigos e representantes de movimentos estudantis também acompanharam a sessão e realizaram manifestações em frente ao fórum.
Uma nova data deverá ser definida pela Justiça para a realização do julgamento.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.