Jovem morre dez meses após ser intoxicado por bebida com metanol em SP
Guilherme Torres da Silva, de 22 anos, ficou meses internado depois de beber gin contaminado
O jovem Guilherme Torres da Silva, de 22 anos, morreu dez meses após lutar contra as sequelas da intoxicação por bebida adulterada com metanol. A morte foi confirmada pela família do rapaz, por meio das redes sociais. Morador de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, ele foi sepultado nesta segunda-feira, 15.
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Conforme o relato dos familiares no Instagram, onde foi criada uma conta para atualizar a sua recuperação, no dia 24 de agosto do ano passado, Guilherme ingeriu algumas doses de gin e passou mal. No começo, ele pensou que se tratava de uma ressaca.
“Logo em seguida a minha visão começou a ficar turva e seguindo com a minha mãe para o hospital começou a minha luta pela vida”, escreveu em uma publicação. Ele foi levado para o Hospital Municipal M’Boi Mirim, em São Paulo, e teve várias paradas cardíacas, precisando ficar entubado e com auxílio de aparelhos para respirar.
A vítima ficou internada por cerca de quatro meses, até que recebeu alta em dezembro. Nas redes sociais, a família publicava um pouco da rotina de cuidados dele, como a fisioterapia, e até o batismo na igreja evangélica. No perfil, os familiares agradeceram o apoio durante os últimos meses.
"Muito obrigado a todos que compareceram ao sepultamento e aos que nos ajudaram até aqui de todas as formas possíveis, com contribuições, doações e mensagens positivas ao longo de toda essa trajetória. Nosso luto será eterno, mas ficarão as boas lembranças".
Em nota ao Terra, a Prefeitura de Itapecerica da Serra informou que o caso de Guilher foi noticiado e investigado à época dos fatos, seguindo todos os protocolos estabelecidos pelos órgãos de Vigilância em Saúde.
"Em relação ao óbito ocorrido recentemente, a Autarquia Municipal de Saúde informa que aguarda o recebimento da documentação oficial, incluindo a Declaração de Óbito e demais laudos pertinentes, para confirmação da causa do óbito e eventual avaliação do nexo causal com o quadro de intoxicação anteriormente investigado. Somente após a conclusão dessas análises pelos órgãos competentes será possível confirmar se o caso possui relação com o evento ocorrido em 2025", declarou a administração.
Mortes por metanol
À reportagem a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) confirmou que foram confirmados 54 casos, entre 2025 e 2026, por intoxicação com metanol, sendo 12 óbitos, conforme o boletim da última segunda-feira, 15.
- Quatro homens, de 26, 45, 48 e 54 anos, da capital paulista;
- Dois homens, de 23 e 25 anos, e uma mulher de 27 anos de Osasco;
- Uma mulher de 30 anos e um homem de 62 anos de São Bernardo do Campo;
- Um homem de 37 anos de Jundiaí;
- Um homem de 26 anos de Sorocaba;
- Um homem de 26 anos de Mauá.
"A SES acompanha e monitora os casos suspeitos e confirmados de intoxicação por metanol registrados no Estado, desde a investigação epidemiológica até a fiscalização sanitária dos locais suspeitos de contaminação, e orienta e apoia as prefeituras sobre as ações de fiscalização", declarou.
Ainda confome a pasta, is sintomas de alerta são dores abdominais intensas, tontura e confusão mental. O socorro em até 6h após o início dos sintomas é fundamental para evitar o agravamento.
De acordo com o Estadão, uma investigação da Polícia Civil apontou que as bebidas alcoólicas adulteradas podem ter origem em uma mesma fábrica clandestina, administrada por uma família no ABC Paulista. Segundo a apuração, os suspeitos compravam etanol adulterado com metanol de dois postos de combustíveis da região, usados como fornecedores da matéria-prima tóxica.
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