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Isolada em Teresópolis, aposentada teme perder benefício

15 jan 2011 - 18h00
(atualizado às 18h23)
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Hermano Freitas
Direto de Teresópolis

Isolada em um sítio em Teresópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, a aposentada Teresinha Schueng Leandra, 80 anos, cardíaca, pode perder a pensão de viúva. Sem capacidade de se locomover e operada com uma ponte de safena, Teresinha não tem condições de percorrer a trilha onde em muitos pontos se caminha com lama até os joelhos, que liga o Jardim Salaco até a região central da cidade. Seu recadastramento no INSS é no próximo dia 25 de janeiro. Se não conseguir sair de casa, ela corre o risco de perder o benefício.

O Jardim Salaco pertence a um dos distritos de Teresópolis mais castigados pela chuva da madrugada do dia 12 de janeiro. As ruas que pertenciam ao bairro estavam no leito do córrego da Cachoeira do Imbuí e foram completamente destruídas. A ponte que liga o local ao centro foi interditada neste sábado. Segundo a Defesa Civil, mais de 590 pessoas morreram na região serrana.

"Faria muita falta não receber R$ 800", disse a aposentada, debilitada pela doença e pelo trauma de ver a casa da filha Maria Madalena Leandra, 52 anos, ser evacuada e interditada. As duas sofrem de hipertensão e ficam abrigadas provisoriamente no sítio do engenheiro civil e bombeiro reformado João Luiz Lincoln, 44 anos, localizado com vista para a Pedra da Tartaruga. Não há luz e os remédios usados por elas para controlar a pressão arterial estão acabando.

Para chegar ao sítio, o trajeto é cheio de obstáculos: a rua que liga o bairro à cidade ficou interditada por três quedas de barreira e árvores. É necessário estacionar o carro e seguir a pé.

Tábuas, telhas, pedaços de tijolos. Tudo é colocado no chão para tentar amenizar a dificuldade de caminhar pelo barro, amolecido constantemente pelas chuvas. Os postes de luz que faziam a transmissão da energia foram ao chão e os fios se misturam ao barro.

Izabel Cristina saía do bairro pela primeira vez desde que iniciaram os desbarrancamentos. Ela pretendia ficar na casa de parentes no Centro. Nos braços, uma sacola e seus dois cachorros que, pequenos, não eram capazes de andar em alguns trechos por causa da lama movediça. O caminhoneiro Valdecir Martins, 46 anos, trabalhava sem parar tirando lama com a ajuda de amigos para livrar seu caminhão dos detritos do que um dia foi uma via.

João Luiz chama o desbarrancamento no bairro de "tragédia anunciada". De acordo com ele, os sítios de alto padrão convivem com ocupações irregulares. "A prefeitura asfaltou, levou água e até linha de ônibus colocou em uma área de risco", disse. O Terra não conseguiu localizar a assessoria de imprensa da prefeitura de Teresópolis para comentar.

Chuvas na região serrana

As fortes chuvas que atingiram os municípios da região serrana do Rio nos dias 11 e 12 de janeiro provocaram enchentes e inúmeros deslizamentos de terra. As cidades mais atingidas são Teresópolis, Nova Friburgo, Petrópolis, Sumidouro e São José do Vale do Rio Preto. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), choveu cerca de 300 mm em 24 horas na região.

Veja onde foram registradas as mortes

Fonte: Redação Terra
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