Hopi Hari cortou ajuda a jovem que perdeu movimentos após andar em montanha-russa, afirma mãe
Segundo a família, parque teria interrompido a assistência depois que Júlia Bossoni foi transferida para Londrina, onde vive. Jovem passou 57 dias internada em Vinhedo. Hopi Hari afirma ter identificado lacuna e que pagará os cuidados essenciais, incluindo retroativos
A jovem Júlia Bossoni sofreu traumatismo craniano e perdeu os movimentos após andar na montanha-russa do Hopi Hari. Sua mãe denunciou que o parque interrompeu o auxílio após a transferência da paciente para Londrina, período em que o quadro de saúde regrediu com novas cirurgias. O caso é investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. Em resposta, o parque reconheceu uma lacuna na assistência e prometeu arcar retroativamente com os cuidados essenciais da vítima.
A administradora Júlia Bossoni, de 28 anos, sofreu um traumatismo craniano e perdeu os movimentos após andar na montanha-russa Montezum, do parque de diversões Hopi Hari, em abril de 2026. Nesta segunda-feira, 21, após o caso ser divulgado pelo programa Fantástico, da TV Globo, a mãe de Júlia relatou que o parque cortou a ajuda a ela depois de ser transferida para a cidade onde vive.
Ao Estadão, o Hopi Hari afirmou ter identificado uma "lacuna" e que irá custear os cuidados essenciais de Júlia, incluindo um pagamento retroativo à data do hospital em Vinhedo.
Júlia passou 57 dias internada em Vinhedo, no interior de São Paulo, onde fica o parque, e depois foi transferida para Londrina, no Paraná. Após a transferência, o Hopi Hari teria parado com a assistência prestada enquanto ela estava em Vinhedo.
"Eles acionaram o seguro exclusivamente para pagar nossa hospedagem e alimentação por dois meses em Vinhedo. Para a Júlia, não foi feito absolutamente nada (...) Eles sumiram e não deram mais um centavo", afirma Danielle Rímoli, mãe de Júlia, em entrevista ao canal EPTV, afiliado da Rede Globo.
Danielle relatou que o quadro da filha apresentou regressão recentemente. Ela precisou ser internada entre 4 de agosto e 5 de setembro para fazer novas cirurgias na cabeça devido a complicações.
O couro cabeludo de Júlia colou diretamente no cérebro após a primeira cirurgia de emergência, em abril, e foi necessário um procedimento para descolar sem novos danos. Ela também precisou operar um acúmulo de líquidos na cabeça (hidrocefalia).
"Ela não está como estava antes dessas cirurgias. Regrediu. Os movimentos, a fala e as reações ficaram bem limitados. Ela fala muito baixinho e se comunica pouco", relatou Danielle à EPTV. De acordo com a mãe, a rotina da jovem agora inclui sessões diárias de fisioterapia, fonoaudiologia e eletromodulação.
Investigação
A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo investigam o caso de Júlia. A reportagem do Fantástico também mostrou outros casos de pessoas que sofreram ferimentos após andar na montanha-russa.
Em nota enviada ao Estadão anteriormente, o Hopi Hari disse que a Montezum possui certificação internacional emitida pelo Grupo TUV Nord, que o parque segue protocolos de segurança, com o treinamento de pessoal, e que o parque também segue rigorosamente a norma nacional para parques de diversões.
"O episódio envolvendo a jovem paranaense ocorreu em sua segunda passagem pela atração, quando apresentou um quadro de convulsão e recebeu pronto atendimento das equipes do parque, seguindo todos os protocolos de segurança. A providência inicial foi prestar os primeiros socorros no ambulatório do parque", disse.
Conforme a nota, a visitante foi encaminhada para a Santa Casa de Vinhedo, onde permaneceu internada até apresentar condições de retorno à sua cidade. "A direção do parque acompanhou de perto o tratamento prestado, sempre em contato com os familiares, custeando as despesas durante a permanência em Vinhedo", ressaltou.
De acordo com o marido de Julia Rimoli, João Pedro Bossoni Dionisio, o traumatismo craniano na mulher foi "decorrente dos fortes impactos e solavancos da atração".
Nota completa do Hopi Hari sobre a ajuda
O Hopi Hari lamenta profundamente o ocorrido com Júlia Bossoni e se solidariza com ela e seus familiares neste momento.
O parque que tem como premissa principal a segurança e bem estar de seus usuários, segue acompanhando a situação com atenção e respeito.
Após conversas com os familiares, o parque identificou uma lacuna, entre a saída do hospital em Vinhedo e o início da fase de recuperação em sua cidade natal.
Em função disso, a direção do Hopi Hari irá custear as despesas de Júlia em seus cuidados essenciais. O pagamento será retroativo à data de alta do hospital em Vinhedo.
Em relação ao processo referente ao pagamento de indenização à família, a questão segue os trâmites naturais. Vale lembrar que, até o último dia de permanência de Julia e seus familiares em Vinhedo, todas as despesas de hospedagem, alimentação e custos para o suporte necessário à Júlia durante a internação foram honrados. o Hopi Hari prestou atendimento imediato após o episódio, realizou os primeiros socorros no ambulatório do parque e providenciou seu encaminhamento à Santa Casa de Vinhedo. A direção acompanhou o atendimento e manteve contato com a família durante o período de permanência da visitante em Vinhedo.
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