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Força-tarefa atuará na Baixada Santista para tentar prender assassinos de ex-delegado-geral de SP

Secretário da Segurança Púbica determinou a ida do Batalhão de Choque e de policiais civis para o litoral sul após a morte de Ruy Ferraz Fontes

16 set 2025 - 21h31
(atualizado em 16/9/2025 às 00h51)
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O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, classificou o ex-delegado-geral do Estado Ruy Ferraz Fontes, morto nesta segunda-feira, 15, em uma emboscada na Praia Grande, como uma "figura emblemática da Polícia Civil e muito atuante no combate ao crime organizado". Derrite determinou a ida do Batalhão de Choque e de policiais civis para o litoral sul para tentar encontrar os responsáveis pela morte de Fontes.

"Estamos mobilizando o DHPP (Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa) e o Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) nessa investigação. É algo muito triste. O doutor Ruy era uma figura emblemática da Polícia Civil e muito atuante no combate ao crime organizado. Estava aposentado desde maio de 2023. Vamos priorizar a investigação, mas já determinei a ida do (Batalhão de) Choque para a Baixada para tranquilizar a população", afirmou ao Estadão o secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite.

Nas redes sociais, o secretário anunciou a criação de uma força-tarefa. "Determinei integração de força-tarefa, com prioridade definida pelo governador Tarcísio (de Freitas), para prender os criminosos", escreveu.

Policiais da capital foram enviados para o litoral sul para tentar encontrar os responsáveis pela morte de Fontes.
Policiais da capital foram enviados para o litoral sul para tentar encontrar os responsáveis pela morte de Fontes.
Foto: Daniel Teixeira/Estadão / Estadão

Para muitos dos policiais com quem ele conversou, o assassinato de Fontes tem características de "crime de máfia". A Inteligência Policial não havia detectado nenhuma ameaça nos dias anteriores ao atentado contra o delegado.

O Gaeco de Santos - responsável por ações penais contra o PCC na Baixada Santista - foi designado pelo procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, para acompanhar as investigações. Entre as hipóteses investigadas está uma velha ameaça de morte que teria sido feita por Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, contra o delegado quando ele dirigia a Delegacia de Roubo a Bancos, do Deic, na primeira década do século.

Em 2010, depois de deixar a delegacia, a Inteligência Policial conseguiu interceptar um plano do PCC para matar Fontes. Dois homens foram presos em frente ao 69.º DP com um fuzil. Eles estariam de tocaia para matar o policial.

Histórico de ação contra o PCC

Fontes ficou conhecido por sua atuação contra a facção Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele chefiou a Polícia Civil paulista entre 2019 e 2022, após ser nomeado para o cargo de delegado-geral no então governo João Doria (na época no PSDB).

Em 2006, ele foi o responsável por indiciar toda a cúpula do PCC, inclusive Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, antes de os bandidos serem isolados na penitenciária 2 de Presidente Venceslau.

Uma das suspeitas da polícia é que a ação tenha sido obra da Sintonia Restrita, o grupo de pistoleiros do PCC responsável no passado por planos para sequestrar o ex-juiz Sérgio Moro e o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

'Terceira grande vingança'

Caso seja confirmada a participação do PCC no crime, esta seria a terceira grande vingança promovida pela facção contra autoridades que combateram o grupo dentro e fora dos presídios.

A primeira do grupo foi o juiz-corregedor Antônio Machado Dias, assassinado em Presidente Prudente, interior de SP, em março de 2003. Rogerio Jeremias de Simone, integrante da cúpula da facção, foi acusado de ser o mandante do crime.

A segunda vítima "excelente" da facção foi o diretor de presídios José Ismael Pedrosa. Ele era o chefe do Anexo da Casa de Custódia de Taubaté, quando seis detentos fundaram a facção.

Antes, chefiara a antiga Casa de Detenção do Carandiru, onde, em 2 de outubro de 1992, 111 presos foram massacrados por policiais militares. Este teria sido o motivo de seu assassinato: um ato do PCC para angariar simpatia da chamada massa carcerária.

Estadão
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