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Febre amarela: vacinação é reforçada no ABC após registro de caso em macaco em Santo André

Estado confirmou nove casos em humanos neste ano; cinco pessoas morreram em decorrência da doença, que é transmitida exclusivamente por mosquitos

28 mai 2026 - 14h53
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Após a confirmação de um caso de febre amarela em macaco em Santo André, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) anunciou a intensificação da vacinação contra a doença na região do Grande ABC.

O registro foi divulgado nesta semana, no boletim do Centro de Vigilância Epidemiológica. O documento reforça que a vigilância de primatas não humanos é uma estratégia importante para o controle da febre amarela silvestre, já que a confirmação nos animais pode indicar a circulação do vírus antes do surgimento de casos em humanos.

O boletim também aponta que, entre março a abril deste ano, o Estado registrou nove casos de febre amarela em humanos, um na região de Sorocaba e oito na região de Taubaté. Cinco pacientes morreram. De acordo com a SES-SP, nenhuma das pessoas infectadas possuía histórico de vacinação contra a doença.

Vacinação é a principal forma de prevenção da febre amarela.
Vacinação é a principal forma de prevenção da febre amarela.
Foto: Rafael Arbex/Estadão / Estadão

Vacinação no Grande ABC

Em Santo André, a vacinação contra a febre amarela é recomendada para pessoas a partir dos seis meses de idade. Crianças entre 6 e 8 meses podem receber a chamada "dose zero", que não substitui as doses previstas no calendário vacinal regular. Já idosos acima de 60 anos, gestantes e lactantes podem receber a vacina, mas devem passar por avaliação médica.

Segundo a secretaria, a recomendação também vale para os demais municípios do Grande ABC: São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. Nessas cidades, no entanto, a vacinação é destinada a pessoas com mais de 9 meses que ainda não receberam o imunizante ou que estejam com o esquema vacinal incompleto.

A vacina é gratuita e faz parte do calendário de rotina. Tradicionalmente, a aplicação começa com uma dose aos 9 meses e um reforço aos 4 anos. A partir dos 5 anos, quem não se vacinou ou não tem comprovante deve receber uma dose única.

Quem foi imunizado com a dose fracionada em 2018, quando houve um surto da doença, deve ir a uma unidade básica de saúde (UBS) para conferir se há necessidade de receber uma dose de reforço.

O que é a febre amarela?

A febre amarela é uma doença infecciosa aguda transmitida por mosquitos infectados e possui ciclos de transmissão silvestre e urbano.

No ciclo silvestre, os macacos são os principais hospedeiros e os vetores são mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes. Já no ciclo urbano, a transmissão ocorre pelo mosquito Aedes aegypti, embora o Brasil não registre propagação urbana da doença desde 1942.

Vale destacar que, apesar de os macacos serem hospedeiros do vírus no ciclo silvestre, eles não transmitem a doença. A febre amarela é transmitida apenas por mosquitos infectados.

Sintomas da febre amarela

Entre os sintomas iniciais da doença estão febre súbita, calafrios, dor de cabeça, dores no corpo e nas costas, náuseas, vômitos, fadiga e fraqueza.

Nos casos mais graves, os pacientes podem apresentar hemorragias, insuficiência de múltiplos órgãos e icterícia — condição caracterizada pela coloração amarelada da pele e dos olhos.

Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 15% das pessoas infectadas podem evoluir para formas graves da doença, e entre 20% e 50% destas podem morrer.

Estadão
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