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Estátua de 1944 é furtada durante obra da Prefeitura de SP

Polícia investiga desaparecimento do monumento "Diana, a Caçadora"; peça estava parcialmente danificada há pelo menos 10 anos

13 ago 2019
13h47
atualizado às 14h47
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A escultura "Diana, a Caçadora" foi furtada da Praça Pedro Lessa em meio às obras de remodelação do Vale do Anhangabaú, no centro da cidade de São Paulo. A ausência do item foi percebida em 19 de julho por um funcionário do consórcio que atua no projeto, idealizado pela Prefeitura de São Paulo. O monumento estava parcialmente danificado há pelo menos 10 anos, com a ausência de parte do braço esquerdo, alguns dedos da mão direita, da flecha e do arco.

Estátua "Diana, a Caçadora" desapareceu da Praça Pedro Lessa, no Vale do Anhangabaú, centro de São Paulo
Estátua "Diana, a Caçadora" desapareceu da Praça Pedro Lessa, no Vale do Anhangabaú, centro de São Paulo
Foto: Antonio Milena/Estadão

O boletim de ocorrência foi realizado pelo consórcio apenas após o Departamento do Patrimônio Histórico (DPH), ligado à Prefeitura, perceber a falta do monumento durante uma vistoria. O caso foi registrado no 3º DP (Campos Elíseos) como furto qualificado, no qual foi apontado que a base da escultura ficou danificada.

A estátua é uma réplica da peça homônima de Jean-Antoine Houdon, exposta no Museu do Louvre. De bronze sob uma base de argamassa, foi feita pelo Liceu de Artes e Ofícios a partir de um modelo em gesso e, segundo registros de jornais, tem quase dois metros de altura. Ela chegou a ser temporariamente retirada do Anhangabaú entre 1987 e 1991, durante obras de reurbanização.

Em nota, a gestão Bruno Covas (PSDB) informou ter aberto um procedimento interno "para apurar as responsabilidades". Além disso, ressaltou que parte do braço e o arco que integravam o monumento estão sob a guarda do DPH.

As obras no Anhangabaú foram reiniciadas no sábado, 10, após a Prefeitura obter liminar na Justiça. Elas chegaram a ficar paralisadas durante uma semana. A ação é movida pela associação Preserva SP, que critica o furto da estátua. "É torcer para que (o vale) não seja depenado até o final da obra", critica Jorge Rubies, presidente da associação. "Custava gastar um pouco com segurança na obra, já que vai custar tão caro?"

O Anhangabaú é parcialmente tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) desde 1992. A resolução de tombamento prevê a preservação do monumento "Verdi" (do escultor Amadeo Zani, de 1921) e da escadaria e balaustre entre a Rua Líbero Badaró e o Anhangabaú.

Um documento assinado pela diretora do DPH, Raquel Schenkman, na quarta-feira, 7, aponta que o projeto da Prefeitura não traz informações sobre os três monumentos dispostos no vale ("Diana", "Verdi" e "Drusa"). Por isso, requer a apresentação da proposta de "recolocação ou manutenção" das peças. No caso de "Verdi", é ressaltada a "necessidade de efetuar reparos superficiais das trincas e rachaduras, higienização e aplicação de cera".

A diretora sugere, ainda, os antigos postes de iluminação do trecho da Avenida São João sejam contemplados pela obra. Ela ressalta que os trilhos de bonde encontrados na mesma via precisam ser mantidos até a apresentação de um novo projeto que os inclua. O monitoramento arqueológico das obras é obrigatório e foi autorizado pelo Iphan no fim de julho, com validade de 18 meses.

O consórcio que atua na obra se posicionou por nota. "O Consórcio Central, composto pela FBS Construtora e Lopes Kalil Engenharia, que executa a obra de reurbanização do Vale do Anhangabaú, adotou todas as medidas cabíveis para apurar devidamente o caso e colabora com as investigações das autoridades policiais."

A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP) também se manifestou por meio de um comunicado. "O caso é investigado por meio de inquérito policial instaurado pelo 3º DP (Campos Elíseos), que trabalha em busca de elementos que auxiliem no esclarecimento dos fatos."

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Estadão
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