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Desabamento de prédio em SP: três pessoas são indiciadas por homicídio com dolo eventual

Edificação em construção caiu sobre uma casa e matou seis pessoas na zona leste; defesas dos suspeitos não foram localizadas

15 set 2026 - 19h42
(atualizado às 19h56)
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Resumo
Três pessoas ligadas à construtora New Home foram indiciadas por homicídio com dolo eventual após o desabamento de um prédio em obras na zona leste de São Paulo, que matou seis pessoas. Um dos suspeitos está preso e dois seguem foragidos. A polícia e a prefeitura também investigam uma servidora municipal afastada por atestar falsamente uma demolição prévia exigida para a liberação da obra, que já acumulava histórico de irregularidades e descumprimento de ordens judiciais de paralisação.

Três pessoas foram indiciadas por homicídio com dolo eventual após um prédio em construção desabar sobre uma casa e matar seis pessoas na Penha, na zona leste da capital, no sábado, 12. Foram indiciados Isis de Freitas Rodrigues Brandão, apontada como responsável legal pela construtora New Home; o engenheiro Cristiano Salgado Vivacqua, responsável técnico pela obra; e Ronaldo dos Santos Vivacqua, pai de Cristiano e apontado como sócio oculto da companhia.

Ronaldo está preso e nega envolvimento com a New Home. Segundo as investigações, no entanto, testemunhas dizem que ele tinha influência e participação ativa nas atividades da empresa, incluindo a venda de apartamentos e presença constante no local das obras.

Cristiano e Isis estão foragidos. A reportagem busca contato com a defesa de ambos.

Prédio em construção desabou sobre uma casa e matou seis pessoas na Penha.
Prédio em construção desabou sobre uma casa e matou seis pessoas na Penha.
Foto: Taba Benedicto/Estadão / Estadão

A servidora da Prefeitura de São Paulo Viviane Rodrigues de Palma, que assinou um laudo em 2024 que garantiu a continuidade das obras, também é investigada. Ela foi ouvida pela polícia nesta terça-feira, 15. O Estadão não localizou a defesa de Viviane.

Segundo a delegada Deidiene Fialho, do 24.° DP, a servidora disse à polícia que esteve no local da obra apenas para averiguar se a estrutura anterior havia sido demolida - uma condição para a liberação do alvará de construção -, e não para fazer uma inspeção sobre a estrutura do prédio.

De acordo com a delegada, Viviane disse em seu depoimento que não chegou a entrar no prédio, alegou que não havia pessoas na construção, mas que o local não estava abandonado. Teria dito, ainda, que fora enganada por Cristiano.

Além disso, segundo os investigadores, a mesma empresa é alvo de outras investigações por estelionato. Ao menos 10 boletins de ocorrência já haviam sido abertos por clientes que alegam que compraram unidades com a New Home e que não haviam sido entregues.

Até o momento, 12 pessoas foram ouvidas pela polícia. A perícia que vai apontar as causas da queda da edificação deve ficar pronta dentro de 30 dias. Outras pessoas devem ser ouvidas e, segundo a delegada, não se descarta a possibilidade de investigar outros envolvidos com a construção e aprovação administrativa do prédio.

Entenda o caso

O desabamento do prédio aconteceu na madrugada do último sábado, 12, na Rua Tequici, na Penha, zona leste de São Paulo. A queda da edificação atingiu uma casa ao lado, que também colapsou.

Seis pessoas que estavam nesta residência morreram - incluindo uma mulher grávida. As outras duas pessoas, entre elas um bebê, foram resgatadas com vida e encaminhadas ao hospital municipal do Tatuapé.

A Prefeitura de São Paulo abriu apuração na Controladoria-Geral do Município (CGM) de São Paulo para investigar os procedimentos de fiscalização. Na segunda-feira, o órgão determinou o embargo de todas as obras em andamento na cidade das construtoras envolvidas no desabamento.

A construção do edifício que colapsou começou em 2019 e, de acordo com a Prefeitura, a obra não tinha alvará. Por esse motivo, o empreendimento foi alvo de fiscalizações da administração municipal, que aplicou multas e determinou a interdição da obra.

A ordem não foi cumprida. Em 2021, a Procuradoria-Geral do Município recorreu à Justiça e obteve uma liminar que determinava a paralisação imediata dos trabalhos. Em 2022, um novo projeto para o terreno foi apresentado à Prefeitura.

Um novo alvará foi concedido em agosto de 2023, mas com a condição de que a estrutura anterior fosse demolida. No ano seguinte, em 2024, uma servidora da Subprefeitura Penha, identificada como Viviane Rodrigues, assinou um laudo que atestava o cumprimento da demolição.

A servidora foi ouvida pela Controladoria-Geral do Município nesta segunda-feira. Ela já estava afastada por 30 dias após a Prefeitura identificar indícios de que a demolição prevista não teria sido realizada. Após o depoimento, a CGM decidiu prorrogar o afastamento dela por 120 dias.

Após o acidente, a New Home Construtora, responsável pela obra, abriu uma investigação interna para apurar o desabamento. Em nota publicada no final de semana, a empresa afirmou na ocasião que não havia elementos que permitissem atribuir o acidente apenas a uma conduta da construtora.

A empresa afirmou que não se exime de eventuais responsabilidades, mas disse que uma movimentação de terra em um terreno vizinho também será analisada como possível elemento ligado ao desabamento. / COLABOROU NANNY COX e RARIANE COSTA

Estadão
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