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Um ano de volume morto: o que Alckmin já disse sobre a crise

Edson Lopes jr. / A2 Fotografia

Não tem racionamento. Tem racionamento. Não tem multa. Tem multa. Relembre aqui o que o governador falou, durante o último ano, a respeito da crise hídrica

15 mai 2015
11h29
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Nesta sexta-feira (15), completa-se um ano desde que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) começou a abastecer parte da capital e da região metropolitana com o volume morto do Sistema Cantareira. E não é só com a falta d’água que os paulistas estão tendo que lidar neste período, mas também com alguns discursos contraditórios do governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Em 2014, quando algumas regiões da capital e algumas cidades do interior já enfrentavam redução na pressão do abastecimento, ele insistiu que não havia racionamento em São Paulo. No início de 2015, quando assumiu seu segundo mandato, reconheceu pela primeira vez que o Estado enfrentava, sim, restrição. Mas a posição durou pouco: ele voltou atrás no dia seguinte. Essa e outras contradições estão na linha do tempo abaixo, elaborada pelo Terra com algumas das principais declarações do tucano sobre a crise hídrica. Confira.

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04/02/2014
Logo no início de 2014, Alckmin descartou a possibilidade de racionamento. De acordo com ele, deveria chover em São Paulo a partir do dia 15 de fevereiro e o nível dos reservatórios iria aumentar – especialmente o do Sistema Cantareira, que na época operava com 21,9% de sua capacidade. Além disso, disse que o desconto anunciado pela Sabesp na conta de água de quem economizasse 20% ajudaria a evitar o desperdício.

09/02/2014
Com o índice das reservas batendo recordes negativos e diversas cidades do interior do Estado sofrendo com a falta d’água, o governador negou mais uma vez a existência de racionamento. O Cantareira estava com 19,8%.

Alckmin concede entrevista após reunião com os novos secretários no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo
Alckmin concede entrevista após reunião com os novos secretários no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo
Foto: Luiz Claudio Barbosa / Futura Press

11/02/2014
O tucano ressaltou a boa resposta dos paulistas às campanhas do governo. "A população responde bem e a bonificação ajuda. Em vez de você fechar a torneira, as pessoas administram. Amanhã termina o problema e a cultura racional da água continua", disse. Por três vezes, porém, deixou de responder qual seria o nível mínimo aceitável no Cantareira para que um possível racionamento fosse decretado. Em seguida, disse ainda que contava com a possibilidade de utilização do volume morto do reservatório.

01/03/2014
Alckmin reconheceu que a Sabesp não tinha um plano de racionamento de água para a Grande São Paulo. Segundo ele, a situação do Cantareira, que já operava no pior nível de sua história, seria monitorada a partir de março.

11/03/2014
"Neste momento, está descartado o racionamento, mas essa é uma questão que tem que ser monitorada dia a dia. Estamos frente a um fato excepcional, pois é a maior seca dos últimos 84 anos. Hoje nós já atingimos a meta sem precisar de racionamento. Em abril, bombas vão bombear água do sistema Guarapiranga para o sistema Cantareira. Essa transferência vai aumentar. Vamos reduzindo a retirada de água à medida que isso ficar pronto", afirmou o governador, novamente tranquilizando a população. O Cantareira estava em 16%.

19/03/2014
O tucano foi ao Palácio do Planalto e pediu à presidente Dilma Rousseff autorização para captar água da bacia do rio federal Paraíba do Sul e despejá-la no Cantareira. No mesmo dia, anunciou que a Sabesp já estava preparada para retirar a primeira cota do volume morto do sistema. "Estamos preparados com reserva técnica de 400 milhões de metros cúbicos. A Sabesp já fez todo trabalho para, se necessário, no inverno, retirar até 196 milhões de metros. Ainda teríamos 204 milhões de metros cúbicos”, declarou.

20/03/2014
Alckmin anunciou uma interligação de 15 quilômetros de dutos e parte de túnel entre as represas Atibainha e Jaguari para guarnecer de água bruta a grande São Paulo e parte do interior. “É uma obra que não demora e é para esse ano. É um estudo antigo, o projeto seria para 2020, mas agora a proposta é de execução imediata”.

O governador de São Paulo Geraldo Alckmin observa o reservatório de Jaguari em 15 de maio.
O governador de São Paulo Geraldo Alckmin observa o reservatório de Jaguari em 15 de maio.
Foto: Rogerio Casemiro / Reuters

31/03/2014
O governador voltou a negar o racionamento e estendeu o desconto na conta de água aos paulistas que economizassem no consumo de 11 para 31 municípios da região metropolitana.

21/04/2014
O tucano anunciou multa aos consumidores que aumentassem o consumo de água. A penalização começaria a ser cobrada a partir de maio para os moradores abastecidos pelo Cantareira – que operava com 12% de sua capacidade. Dois dias depois, após receber críticas, alegou que havia embasamento legal na proposta.

Maio - Primeira cota da reserva técnica começou a ser usada no Cantareira

Junho - Alckmin teve sua candidatura à reeleição oficializada pelo PSDB

10/07/2014
O governador desistiu de multar quem não economizasse água em São Paulo. Segundo ele, não existia mais a necessidade da cobrança extra.

Outubro - Alckmin foi reeleito no primeiro turno da eleição

06/10/2014
O tucano se confundiu durante coletiva e disse: “não tem água” na capital. “Não tem falta de água”, corrigiu em seguida. “Houve muita exploração política (do tema racionamento). Acabou o inverno, estamos na primavera, e não vai faltar água”, concluiu.

Novembro - Segunda cota da reserva técnica começou a ser usada no Cantareira

05/11/2014
Alckmin anunciou a construção de duas estações de produção de água de reuso para abastecer as bacias dos sistemas Guarapiranga e Alto Cotia - as primeiras instalações estaduais para captar esgoto e transformá-lo em água para consumo. A previsão de entrega é para dezembro de 2015.

Em maio de 2014, primeira cota da reserva técnica começou a ser usada no Cantareira
Em maio de 2014, primeira cota da reserva técnica começou a ser usada no Cantareira
Foto: Thiago Bernardes / FramePhoto

10/11/2014
Governador pediu ajuda à presidente Dilma Rousseff para desenvolver um plano de investimentos de R$ 3,5 bilhões. As obras propostas foram a interconexão dos reservatórios Atibainha-Jaguari, Jaguari-Atibaí e Rio Grande-Guarapiranga, a construção de novas represas e a exploração de poços artesanais do Aquífero Guarani.

15/11/2014
Um mês após a reeleição, declarou aumento de 5,4% na conta de água no Estado. Questionado se as eleições teriam segurado o reajuste, o tucano negou qualquer tipo de influência.

04/12/2014
A presidente aprovou e assinou acordos para a execução das obras anteriormente discutidas. “Tenho certeza que esse bom diálogo e esse bom trabalho vai continuar. Quero aqui reconhecer o esforço da presidente Dilma”, disse o governador, citando a assinatura como um “exemplo de cooperação”.

12/12/2014
Alckmin anunciou que Benedito Braga substituiria Mauro Arce como secretário de Recursos Hídricos do Estado.

14/01/2015
O governador admitiu, pela primeira vez, que o Estado enfrentava racionamento de água e disse que, por isso, recorreria da decisão judicial que suspendia a cobrança de multa para quem consumisse mais água. “O racionamento já existe. Quando a Agência Nacional de Águas (ANA) determina que tem de reduzir a vazão do Cantareira de 33 metros cúbicos por segundo (m3/s) para 17 m3/s, é óbvio que já está em restrição. Então a medida (de sobretaxar a tarifa de água) tem legalidade”, declarou.

15/01/2015
Um dia depois, ele voltou atrás e disse que não havia racionamento de água em São Paulo. "Esta tarifa contingenciada que foi aprovada, ela visa exatamente evitar o racionamento. O que é racionamento? É você fechar o registro. Então, nós estamos procurando, através de campanha, através de bônus, através da utilização das reservas técnicas, através da integração dos sistemas, ultrapassar essa dificuldade da crise da seca garantindo o abastecimento de água", afirmou.

21/01/2015
O governador afirmou que cogitava usar água da represa Billings para abastecer os sistemas Guarapiranga e Alto Tietê, que também sofriam as consequências da seca. A captação, no entanto, não resolveria o problema do Cantareira, que operava com 5,5% de sua capacidade.

30/01/2015
Após rumores de que São Paulo sofreria rodízio de 5 dias sem e apenas 2 dias com água, o tucano disse que ainda não havia tomado nenhuma decisão sobre o assunto. “Não há uma decisão tomada sobre o rodízio, optamos pela válvula redutora de pressão”, declarou, após nova reunião com Dilma.

31/01/2015
“Primeiro, quero agradecer à população, porque 81% da população fez o uso racional da água; São Paulo consumiu 72 metros cúbicos, hoje consome 55. Mas a palavra é que todos ajudem, pois nós não podemos abrir mão de ninguém. Então precisamos da colaboração de todos. Todo mundo deve continuar colaborando pois esta é a maior seca do século; o ano mais seco foi em 1953, mas no ano passado, choveu metade de (o que choveu em) 1953. E este mês a mesma coisa; no Cantareira choveu a metade e no Alto Tietê, 40%”, comentou o governador durante entrega de viaturas para produtores rurais em Coroados, no interior de São Paulo.

11/02/2015
O tucano explicou que tinha à disposição uma recém-descoberta reserva técnica do Cantareira, localizada na Represa do Cachoeira, que compõe o sistema ao lado de Jacareí, Jaguari, Atibainha e Paiva Castro. "Nós temos, no Sistema Cantareira, cinco represas com capacidade total em torno de 960 milhões de metros cúbicos de água. Em Piracaia, na Represa do Cachoeira, verificou-se que abaixo do zero ainda tem uma reserva técnica que poderá ser usada parte sem obras de engenharia e parte com obras de engenharia. Seria, então, uma quarta reserva técnica de 40 milhões de metros cúbicos", afirmou.

13/02/2015
Alckmin disse que não estava descartado um racionamento de água no Estado. A declaração foi dada após a primeira reunião do Comitê da Crise Hídrica, que incluiu prefeitos da região metropolitana, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e ONGs.

Alckmin diz que não há decisão tomada sobre rodízio de água

20/02/2015
"Estamos trabalhando para não fazer rodízio. Nada indica hoje que ele precisa ser feito. Não estamos dependendo de chuva. Se as obras forem entregues no prazo, teremos até junho 5 metros cúbicos por segundo a mais de oferta, o que quase equilibra o Cantareira no inverno", declarou o governador.

19/03/2015 
Alckmin desistiu de utilizar a parte poluída da represa Billings para abastecer a Grande São Paulo. A principal justificativa foi o alto custo do projeto de tratamento.

20/03/2015
O tucano afirmou que a quantidade de água retirada do Cantareira para abastecer 5,6 milhões de pessoas na Grande SP pode ser cortada quase à metade no inverno. A partir de junho, segundo ele, a vazão do sistema deve cair de 14 mil litros por segundo para até 8.000 l/seg. 

28/04/2015
"Estamos preparados para o período seco e não vai faltar água. Estamos antecipando tudo para garantir a segurança hídrica. O que não podemos é relaxar. É manter o bônus e não desperdiçar, assim a gente vai passar o período seco do inverno", disse em palestra realizada a empresários na capital paulista.

07/05/2015
"Nós achamos que é o correto", disse, durante evento no Palácio dos Bandeirantes, sobre a decisão da Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) de autorizar o reajuste de 15,2% na conta de água. "A agência verificou todos os indicadores, como aumento do custo, especialmente a energia elétrica, e queda da produção, e estabeleceu o valor". 

08/05/2015
"Estamos no melhor momento. Nós tínhamos 5% do nível do Cantareira há 60 dias atrás, no comecinho de fevereiro. Hoje, temos 20%, sem contar a terceira reserva técnica, que pode utilizar a qualquer momento, não precisa nem de obra, e sem contar a quarta reserva técnica", disse em evento em São Paulo. "As coisas são tiradas e desinformam a população. O que a Sabesp fez foi o chamado plano de contingência, então, não tem nenhuma hipótese de ter rodizio 5x2", completou.

MTST faz paródia de Alckmin em ato contra falta d'água

 

Fonte: Terra
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