CPTM pede liberação para trem que ligará litoral de SP ao interior; veja trajeto
Serão 223 km de trilhos entre Santos e Cajati; custo total pode chegar a R$ 21 bilhões
A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) já pediu uma licença ambiental para iniciar a construção do trem que ligará o litoral de São Paulo ao interior. Nesta quinta-feira, 6, a Companhia Ambiental do Estado (Cetesb) solicitou a apresentação de estudo de impacto ambiental antes de liberar o projeto bilionário. Não há prazo para obtenção do aval.
Depois de quase 30 anos, os trens de cargas e passageiros podem voltar a correr pelos trilhos entre Santos, na Baixada Santista, e Cajati, no Vale do Ribeira, interior de São Paulo.
Como o Estadão mostrou, os 223,6 km de malha ferroviária vão percorrer seis cidades da Baixada Santista, até Peruíbe, e sete cidades do Vale do Ribeira, até Cajati. A estimativa é transportar 32 mil passageiros e 600 contêineres por dia.
O custo total do empreendimento deve oscilar entre R$ 19 e R$ 21 bilhões. No futuro, a ideia é que o sistema seja integrado ao Trem-Intercidades Santos-São Paulo, conectando a capital, o litoral e o interior.
Como será percurso
A nova linha terá trens expressos e paradores. Para fazer todo o percurso, o tempo estimado para o serviço expresso será de 2 horas e 20 minutos. Os trens paradores farão o percurso de Santos a Peruíbe em 48 minutos e de Peruíbe a Cajati em 1 hora e 56 minutos.
Conforme a CPTM, entre os benefícios a serem proporcionados pela nova ferrovia está a redução de congestionamentos nas vias do litoral e na rodovia Régis Bittencourt (BR-116), com possível redução de acidentes.
De Santos a Peruíbe, numa extensão de cerca de 80 km, a via será elevada. O trem parte de uma altitude de 2 metros, no centro histórico de Santos, e chega à altitude de 75 metros, em Cajati.
O plano é que sob a linha sejam construídos parques lineares, ciclovias e estacionamentos para banhistas: a ferrovia seguirá paralela às praias.
Os trilhos já existentes no trajeto passarão por análise técnica e, quando possível, serão recuperados para reaproveitamento da malha ferroviária já existente. A reportagem do Estadão apurou que, em muitos trechos, especialmente na Baixada Santista, a antiga linha férrea foi ocupada irregularmente.
Em novembro de 2018, uma vistoria do Ministério Público Federal (MPF) constatou construções clandestinas e até plantações de banana sobre a linha férrea.
Algumas estações que foram depredadas ou sofreram danos na estrutura devido ao abandono terão de ser reconstruídas ou substituídas por prédios novos.
O abandono levou a prefeitura de Mongaguá a solicitar à União a doação de 13 km de área pública ocupada pela linha férrea desativada na área urbana do município.
Prefeitos da região se mobilizam há anos pela reativação da ferrovia. Alberto Mourão (MDB), prefeito de Praia Grande, defendeu a utilização da linha para o transporte de passageiros mercadorias até o Porto de Santos. Cerca de 50 mil pessoas se deslocam diariamente da cidade para Santos. "Nossa preocupação é com o estado de abandono que traz reflexos para o município", diz.
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