Congonhas aumenta nº de aviões que prometem menos barulho, mas ruído segue igual: 'Ensurdecedor'
Concessionária diz que, com maior utilização dos aeronaves barulhentas, a tendência é de melhoria na percepção dos moradores
Apesar do aumento no uso de aeronaves mais silenciosas e de novas regras de decolagem em Congonhas, os níveis de ruído nos bairros vizinhos continuam nos mesmos patamares de quatro anos atrás. A persistência do incômodo sonoro preocupa os moradores, que também contestam a proposta da Anac de estender o horário de funcionamento do aeroporto em situações excepcionais, alertando para maiores impactos ambientais e na qualidade de vida da população do entorno.
A frota de aeronaves mais silenciosas usadas no Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, tem crescido no último ano e um novo procedimento de decolagem passou a ser adotado para reduzir o impacto sonoro.
Mesmo com essas iniciativas, os níveis de ruído estão em patamares similares ao que estavam há quatro anos nos três pontos de monitoramento em bairros próximos ao aeroporto (Jabaquara, Moema e Itaim Bibi), conforme dados da concessionária Aena.
A participação de aeronaves menos ruidosas (modelos Airbus A320Neo, Boeing 737 MAX e Embraer E2) subiu de 22% em 2024 para 32% no 1º semestre deste ano após a concessionária dar descontos de tarifas para companhias que usassem modelos mais modernos. A expectativa é atingir 36% até dezembro.
Quanto maior o uso de aeronaves desse tipo, diz a Aena, 'a tendência é de melhoria na percepção (de ruído) dos moradores". A concessionária afirma que as três estações tiveram ruído dentro do esperado pelo plano de zoneamento de ruído para a região (leia mais abaixo).
Barulho nos bairros vizinhos é um problema histórico em Congonhas, mas se agravou nos últimos anos com alterações nas rotas dos voos, o que fez em mais áreas sofrerem com a poluição sonora. Além disso, nos últimos meses, ganhou força o debate sobre estender o horário de funcionamento do terminal (de 6h às 23h) após episódios de atrasos em série.
Em Congonhas, a aeronave manteria o perfil de subida até uma altitude mais elevada que os padrões internacionais da NADP, antes de iniciar a curva de saída, aumentando a distância vertical em relação às áreas residenciais, como explica o consultor de aviação Claudio Louzada.
A primeira restrição de altitude seria de 6 mil pés (1.829 metros), além de rever velocidade e gradiente de subida.
A proposta também prevê restrições específicas de velocidade em baixa altitude e uma subida com gradiente maior em condições operacionais normais.
"Se uma família com crianças pede conselho sobre a compra de um imóvel nessa região, eu digo para não comprar. O incômodo é muito grande", diz Edvaldo Sarmento, que preside a Associação de Moradores do entorno do Aeroporto de Congonhas (Amea).
Flexibilização dos horários de voos
Nos últimos meses, a preocupação dos moradores aumentou por causa dos planos da Anac de criar um protocolo de extensão do horário de Congonhas para situações excepcionais, como eventos meteorológicos severos e problemas operacionais. O horário regular de operação continuaria sendo das 6h às 23h.
"Não é possível discutir a flexibilização das operações em Congonhas, seja pela ampliação de horários, do número de voos ou da capacidade do aeroporto, sem avaliar, simultaneamente, seus impactos acústicos, ambientais e sanitários sobre a população", opina Marcus Abrantes, presidente da Associação dos Moradores da Vila Nova Conceição.
"O problema não se resume a Congonhas. Trata-se também de segurança jurídica e da maneira como políticas públicas vêm sendo executadas sem transparência e participação social".
As companhias aéreas defendem a medida para evitar que interrupções em Congonhas provoquem efeito dominó em outras partes da malha aérea.
Conforme a Aena, ocorrências desse tipo foram verificadas apenas em situações excepcionais. Foram dez extensões de horário em 2024, cinco em 2025 e duas até 30 de julho deste ano.
Desde que assumiu o aeroporto, 80% dos casos decorreram de condições meteorológicas adversas, afirma a concessionária.
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