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Como funcionava centro de receptação de celulares desarticulado pela polícia em SP: 'Sofisticação'

Operação Contrafeixe cumpriu 19 mandados de busca e apreensão na capital paulista; ao menos um suspeito foi preso

10 jun 2026 - 21h55
(atualizado às 22h11)
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A Polícia Civil desarticulou nesta quarta-feira, 10, um imóvel que seria usado como um centro de receptação de celulares roubados na zona norte de São Paulo. Um dos cômodos contava inclusive com isolamento eletromagnético e bloqueadores de sinal de telecomunicação para dificultar a ação policial.

A Operação Contrafeixe cumpriu 19 mandados de busca e apreensão na capital paulista. Ao menos um suspeito foi preso. Outras oito pessoas são investigadas por participação no esquema, segundo balanço da Polícia Civil.

"Essa forma de acondicionamento, tratamento e manipulação dos telefones foi uma novidade", afirmou o delegado Clemente Calvo Castilhone, chefe da Divisão de Investigações sobre Crimes contra o Patrimônio (Disccpat), do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) da Polícia Civil.

Segundo ele, o esquema mostra "um grau de sofisticação até então não visto" em outras operações. "Não eram 'apenas' diversos telefones. Eram telefones que eram etiquetados e tratados, inclusive com gaiolas de faraday, que são bags específicas para o isolamento eletromagnético do telefone", disse.

Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

Imagens obtidas pelo Estadão (veja acima) mostram o momento em que policiais do Deic encontram parte dos materiais apreendidos no imóvel, localizado na Rua Joaquim Afonso de Souza, na região da Cachoeirinha, zona norte da cidade.

Balanço parcial da Polícia Civil indica que o valor estimado das apreensões pode chegar a R$ 500 mil. Ao todo, foram encontrados 182 celulares, além de 41 alianças e R$ 115 mil em espécie. Outros tipos de joias também foram localizados.

Criminosos bloqueavam sinal dos aparelhos

Segundo a investigação, o endereço usado como base da organização operava com equipamentos conhecidos como jammers, capazes de derrubar sinais de internet e de telefonia e até interferir na conexão de residências vizinhas. O objetivo era impedir rastreamento e comunicações externas.

O local seria utilizado por gangues "quebra-vidro", focadas em roubar celulares de motoristas e passageiros no trânsito. Como vem mostrando o Estadão, a modalidade vem chamando atenção em diferentes regiões, incluindo na zona norte.

Em geral, assim que roubados, os celulares são a repassados redes de receptadores, responsáveis pela triagem, revenda e exploração de dados armazenados nos dispositivos. Parte dos aparelhos é revendida no mercado clandestino, enquanto a outra é usada para aplicação de fraudes. As investigações que resultaram no cumprimento dos mandados desta quarta prosseguem.

Estadão
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