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Cardozo sobre caso Siemens: 'querem transformar quem cumpre a lei em réu'

28 nov 2013
14h30
atualizado às 14h44
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O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, reagiu em tom de indignação às denúncias de manipulação de documentos do caso Siemens. Em evento no Supremo Tribunal Federal (STF), Cardozo afirmou que não vai se intimidar com as acusações e que vai manter as investigações sobre a formação de cartel e fraude nas licitações de trens do Estado de São Paulo.

“Acho lamentável que queiram transformar quem cumpre a lei em réu apenas pelo fato de que existe uma investigação. A maior parte dos países em que houve esse escândalo já investigou, já puniu pessoas envolvidas, o Brasil ainda caminha lentamente. Pedi à Polícia Federal que apurasse, recebi uma denúncia e pedi que avaliasse, nada mais do que isso. Há pessoas que parece que não querem investigar, que querem descontar as coisas”, disse o ministro, acrescentando que ainda hoje anunciará novas medidas sobre o caso.

Na terça-feira, líderes do PSDB acusaram o PT de forjar documentos que foram entregues por Cardozo à Polícia Federal para incriminar os tucanos e atenuar o impacto das prisões de petistas envolvidos com o esquema do mensalão. Alguns dos documentos que vieram à tona agora eram conhecidos do Ministério Público de São Paulo desde 2009.

Em junho, a PF anexou esse conjunto de papéis ao inquérito que investiga a atuação de um grupo de empresas, entre elas a Siemens e a Alstom, que teria combinado preços em licitações do Metrô e da CPTM desde 1998, num período em que o Estado foi administrado por sucessivos governos do PSDB, como Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra.

"Querem criar uma situação contra quem cumpre a lei e acusar para afastar, para tirar o foco de uma investigação séria. E se alguém pensa que vai intimidar o Ministério da Justiça, a Polícia Federal, vamos continuar cumprindo, como eu cumpro, a lei que determina investigação criteriosa, imparcial”, disse Cardozo.

Em resposta às acusações, lideranças petistas passaram a acusar os tucanos de antecipar a campanha eleitoral do ano que vem. Ontem, o vice-presidente da República, Michel Temer, criticou o clima de briga política entre os partidos e defendeu a postura de Cardozo.

“(Temer) está correto. Ele é jurista e sabe que o ministro da Justiça tem o dever de enviar denúncias para serem apuradas. E esse é meu papel e de qualquer ministro da Justiça que não quer ser um engavetador com no passado já houve”, disse o ministro.

Uma das principais críticas dos petistas é em relação ao procurador da República Rodrigo de Grandis, acusado de engavetar um pedido de colaboração de procuradores suíços no caso Siemens. Segundo De Grandis, que contou que o documento foi guardado numa gaveta errada e, por isso, arquivado indevidamente, houve uma "falha administrativa" na Procuradoria de São Paulo. O pedido ficou longe do conhecimento do órgão por dois anos e oito meses.

Foto: Arte Terra

Fonte: Terra

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