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Cardozo diz que tinha o dever de pedir investigação da PF sobre cartel em SP

26 nov 2013 20h44
| atualizado às 20h52
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O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, rebateu nesta terça-feira as acusações de que teria facilitado o vazamento de denúncias sobre irregularidades em licitações para obras do metrô de São Paulo envolvendo políticos do PSDB.

Em entrevista coletiva, Cardozo informou que recebeu uma pasta de documentos, no dia 11 ou 12 de maio deste ano, com indícios de irregularidades nas licitações. O material foi entregue pelo deputado estadual Pedro Simão (PT-SP), secretário de Serviços da prefeitura de São Paulo, na residência do ministro. "Ele me passou o relatório para investigação, e frisou que não estava assinado. Como tinha indícios fortes, com planilhas e detalhamentos, trouxe os documentos para Brasília, chamei o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, e pedi que fizesse exame de plausibilidade, com o máximo de cautela", contou Cardozo.

O ministro acrescentou que os documentos continham "relatos minuciosos" e que, por isso, ele se viu obrigado a pedir a investigação. '"(Se) Há denúncias, não importa de quem sejam, o ministro da Justiça tem obrigação de encaminhar. Pode envolver meu partido (o PT) e até pessoas da minha família. Se eu não encaminhasse, seria prevaricação. Agora, eu não poderia supor que os documentos com tais características, pelas informações que têm, fossem falsos."

A cúpula do PSDB anunciou hoje que apresentará denúncia à Comissão de Ética da Presidência da República contra o ministro da Justiça, por entender que ele agiu politicamente no caso.

Segundo Cardozo, os documentos citam detalhes e envolvem pessoas também de outros Estados, cujos nomes ele não informou sob o argumento de sigilo. Cópias foram enviadas às superintendências da Polícia Federal nos locais citados para análise.

Para o ministro, "não há nenhuma ilegalidade" no fato de ele ter recebido a denúncia, encaminhando-a para apreciação da Polícia Federal. Entretanto, Cardozo considera um ponto negativo a transformação das investigações em objeto de disputa política. Ele destacou que tanto a PF quanto o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que também investiga as denúncias de um esquema de corrupção no metrô de São Paulo, são órgãos que "têm estrutura republicana, com padrão de responsabilidade, e não se intimidam nem se curvam a pressões daqueles que não têm visão republicana dos fatos".

O diretor-geral da PF, Leandro Daiello, e o presidente do Cade, Vinícius Carvalho, também participaram da entrevista. Vinícius Carvalho garantiu que "esse documento nunca passou pelo Cade". Não ficou esclarecido onde ocorreu o vazamento das denúncias, inicialmente atribuídas ao ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer, mas desautorizadas por ele na semana passada.

Agência Brasil Agência Brasil
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