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Análise: Existe um grande passivo histórico a ser superado na Igreja

À medida que se intensifica o combate a abusos, mais se percebe o tamanho do problema e a necessidade de medidas mais rigorosas

18 dez 2019 - 05h15
(atualizado às 06h06)
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Todos os Estados e governos têm informações sigilosas. Na Igreja Católica, são denominadas "segredos papais". Contudo, o segredo pontifício corria o risco de se tornar uma causa possível de impunidade, dificultando a troca de informações entre a autoridade civil e a eclesiástica. Um sacerdote acusado de abuso terá agora de enfrentar dois processos, perante a Justiça do país onde ocorreu o delito e perante a Igreja. No encontro internacional de fevereiro, ficou evidente que essa obrigação não seria totalmente efetiva enquanto os processos fossem conduzidos em sigilo no âmbito religioso.

O grande problema que a Igreja tem enfrentado é a dificuldade de combater de forma transparente esses crimes, até porque existe um grande passivo histórico a ser superado, em termos de casos não divulgados, normas canônicas pouco eficazes, seleção e formação inadequada de sacerdotes. Assim, à medida que se intensifica o combate, mais se percebe o tamanho do problema e a necessidade de medidas mais rigorosas.

*FRANCISCO BORBA RIBEIRO NETO COORDENA O NÚCLEO FÉ E CULTURA DA PUC-SP

Estadão
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