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Casal divide a dor após a morte das filhas em Ilha Grande

4 jan 2010 - 03h20
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De uma cama do Hospital Copa D'Or, a jornalista Cláudia Repetto, de 42 anos, gravou uma mensagem de amor ao marido pelo celular. O empresário Marcelo de Assis Repetto Filho, 45 anos, internado na Clínica São Vicente, na Gávea, retribuiu com outro vídeo. Nesse domingo, os pais das meninas Giovanna e Gabriela Repetto, de 12 e 9 anos, já se falaram pelo telefone. Na voz do outro, eles procuram um amparo para sobreviver à insuportável dor da perda das suas duas princesas, que não conseguiram escapar do desabamento de terra da Ilha Grande e morreram soterradas na madrugada do Réveillon. A pedido do casal, as meninas só deverão ser enterradas depois que eles receberem alta médica.

Segundo parentes, Cláudia chorou muito e, numa das conversas com o marido, chegou a dizer que queria trocar de lugar com as filhas, e que sonharia com elas porque estava com muita saudade. "É uma dor enorme, eram as minhas únicas netas. Eram meninas alegres. Estou à base de calmantes. Minha filha também está muito abalada e pede para todos rezarem pelas meninas", disse a mãe de Cláudia, Rose Brazil.

A família passou a virada do ano com outros Repetto numa das duas casas alugadas na região do Bananal. "Depois que comemos, lá para umas 2h, os primos da idade delas ainda falaram para elas dormirem com a gente. Mas elas disseram que iriam dormir com os pais", contou Letícia Repetto, filha caçula de Renato, que também morreu na tragédia e foi enterrado sob aplausos ontem à tarde, no Cemitério São João Batista.

Padrinho de Giovanna, André Repetto contou que uma das duas meninas dormia numa cama com a mãe, enquanto a outra dormia em outra. "Quando eles ouviram o barulho se reuniram num cômodo e, depois, aconteceu o desabamento", explicou o rapaz. Segundo uma das tias, Lallu Repetto Coelho, o casal contou que faltava luz e, após o desabamento, o resgate demorou entre duas e três horas. Nesse tempo, Cláudia e Marcelo não ouviam as vozes de Giovanna e Gabriela. Muito feridos e presos ao escombros, ainda chegaram a gritar pelas filhas. "Enquanto esperavam pelo resgate, eles não ouviam mais as vozes das meninas. Estamos todos arrasados", disse a tia.

Enquanto tentam se recuperar fisicamente - Claudia fraturou três costelas e teve ferimentos nas pernas, e Marcelo está com as funções renais comprometidas - parentes vivem a angústia de tentar ajudá-los a conviver com a morte das filhas. No apartamento na Barra da Tijuca onde viviam há seis anos, as fotos de Giovanna e Gabriela estão espalhadas por toda parte. Dono de uma rede de lojas de foto, Marcelo adorava clicar as filhas, que sonhavam com a carreira de modelo. Alunas do Centro Educacional Espaço Integrado, há um ano e meio frequentavam a escolinha de futebol na Praia do Pepê. Era sempre a mãe ou a avó, Rose Brazil, que as levavam. "Elas eram alegres e dóceis. É muito triste tudo isso. Sentiremos muito a falta delas", lamentou o professor Pedro.

Desde a notícia da tragédia, centenas de pessoas de todas as partes do Brasil têm deixado mensagens de solidariedade à família na página de Giovanna no Orkut. Mãe da melhor amiga de Gabriela, Daniela Lossaco contou que a filha Nina está inconsolável. Elas passaram a semana antes do Natal brincando juntas: "Dei a notícia à minha filha, mas ela demorou a acreditar. Agora está sofrendo muito, chora o tempo todo com saudade".

Marcelo de Assis Repetto, pai de Marcelo e avô das meninas, falou sobre a importância de se tirar alguma lição da tragédia que abalou sua família, durante o enterro do irmão, Renato: "A exposição dessa tragédia serve como alerta da necessidade do cuidado com o meio ambiente e o aquecimento global. Faz com que as pessoas reflitam. Precisamos tomar providências imediatas, não dá para esperar o futuro, pois as tragédias vão continuar acontecendo", afirmou.

Fonte: O Dia
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