Ativismo e 'charme discreto' levam Wagner Moura à lista dos 100 mais influentes da Time
Ator brasileiro estampa uma das capas da revista. A publicação destacou seu 'charme discreto' e 'humor travesso' e afirmou que, em um mundo digital cada vez mais artificial, Moura 'é o antídoto analógico que nem sabíamos que precisávamos'.
O ator Wagner Moura foi incluído na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2026, divulgada pela revista Time. O brasileiro foi selecionado após concorrer ao Oscar de Melhor Ator pelo papel em O Agente Secreto.
Moura também está em uma das capas da edição publicada pela revista nesta quarta-feira (15/04), ao lado de outras personalidades que integram a lista.
O perfil, entitulado "'Eu falo as coisas. Não tenho medo.' Wagner Moura quer lhe contar a verdade", destaca a disposição do artista brasileiro em discutir questões sociais e políticas.
"Moura, o primeiro brasileiro a ser indicado ao prêmio de Melhor Ator, não ganhou, e o filme também não: perdeu em todas as categorias. Mas conversar com Wagner em Los Angeles, apenas três dias após a cerimônia, é um pouco como ouvir um garoto empolgado relatando suas aventuras recentes", diz a reportagem.
A revista ainda descreve o ator brasileiro como alguém que não usa redes sociais, ouve música em vinil e dirige seu próprio Fusca 1959. "Em um mundo cada vez mais digital, que parece se tornar mais inteligente apenas no sentido artificial, ele é o antídoto analógico que nem sabíamos que precisávamos", diz a Time.
"Há algo nele que remete à velha Hollywood, o que o faz parecer uma raridade entre a maioria dos atores contemporâneos. Seu charme discreto e seu senso de humor travesso equilibram qualquer tendência à seriedade excessiva — e é fácil imaginá-lo com um robe elegante dos anos 1930, fumando sem fumar", diz a legenda da postagem da revista no Instagram.
A Time também publicou um texto escrito pelo ator americano Jeremy Strong, mais conhecido pela série Succession, que fez um tributo a Moura.
"Uma lenda no Brasil há muito tempo, ele já está no cenário mundial há algum tempo. Mas, neste último ano, Moura abriu um buraco no teto do mundo", escreveu Strong sobre o colega de profissão.
"Moura, que viveu sob o governo de direita de Jair Bolsonaro de 2019 a 2023, é alguém que entende que democracia e liberdade são coisas pelas quais precisamos lutar todos os dias", disse ainda.
A reportagem principal sobre Moura distribuída pela Time faz uma breve viagem pela carreira de Wagner Moura na atuação e ainda anuncia seus próximos projetos, entre eles a direção do filme Last Night at the Lobster. Ele também vai atuar na produção que é uma adaptação do livro do mesmo título do escritor Stewart O'Nan.
Em entrevista, o ator ainda faz uma reflexão sobre democracia e liberdade.
"Governos vêm e vão", diz Moura à Time.
"Mas, para mim, este é o país que acolhe pessoas de todos os lugares, que foi construído sobre a imigração. Claro, o país está polarizado. Mas há uma diferença entre o governo que está no poder agora e a alma do país. Donald Trump representa muito do que os EUA são. Mas os EUA não são apenas isso, nem de longe", diz o brasileiro, que é cidadão americano desde 2023.
Pesquisadores brasileiros na lista da Time
Além de Moura, dois pesquisadores brasileiros também figuram na lista da revista deste ano.
Mariangela Hungria foi incluída na lista de "Pioneiros" por sua pesquisa com microrganismos para fixação de nitrogênio no solo, o que permite reduzir o uso de fertilizantes químicos em cultivos agrícolas e gerar menos impacto ambiental.
Hungria foi a primeira brasileira a receber o Prêmio Mundial da Alimentação, considerado o "Nobel da Agricultura" pelas várias décadas de pesquisas nesta área.
Por sua vez, Luciano Moreira aparece entre os "Inovadores" por seu trabalho à frente do desenvolvimento e a expansão de uma técnica que emprega mosquitos modificados para impedir a transmissão de doenças como dengue, zika e chikungunya.
Moreira já havia sido eleito no ano passado uma das dez pessoas mais influentes do mundo na ciência pela revista Nature.
Arte por Daniel Arce-Lopez, da equipe de Jornalismo Visual da BBC News Brasil
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