Após falar com Trump sobre Conselho da Paz, Lula recebe ligação de Macron e ambos defendem a ONU
Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da França, Emmanuel Macron, fizeram um apelo nesta terça-feira (27) em prol do fortalecimento da ONU, depois de uma conversa de cerca de uma hora por telefone. O pedido ocorre em resposta ao controverso Conselho da Paz, lançado pelo líder norte-americano, Donald Trump, em uma tentativa de substituir as Nações Unidas.
Durante a ligação, Lula e Macron "coincidiram que iniciativas em matéria de paz e segurança devem estar alinhadas aos mandatos do Conselho de Segurança", diz um comunicado oficial do Palácio do Planalto.
O líder petista também publicou um post nas redes sociais detalhando o conteúdo do telefonema que recebeu do presidente francês. "Conversamos sobre a proposta de Conselho da Paz apresentada pelos Estados Unidos. A esse respeito, defendemos o fortalecimento das Nações Unidas", afirmou.
Recebi na manhã desta terça (27) telefonema do presidente da França, @EmmanuelMacron. Conversamos sobre a proposta de Conselho da Paz apresentada pelos Estados Unidos. A esse respeito, defendemos o fortalecimento das Nações Unidas e concordamos que iniciativas sobre paz e…
— Lula (@LulaOficial) January 27, 2026
O Brasil e a França fazem parte dos cerca de 60 países convidados a participar do Conselho da Paz idealizado Trump e oficializado durante a última edição do Fórum Econômico de Davos, na semana passada. Inicialmente, 35 nações responderam favoravelmente à proposta dos Estados Unidos, mas apenas 23 oficializaram a entrada no grupo, cujo ingresso permanente custará US$ 1 bilhão.
Em 19 de janeiro, Paris recusou o convite dos Estados Unidos. O Ministério das Relações Exteriores da França justificou que a proposta do presidente americano "levanta questões maiores" sobre a legitimidade do Conselho da Paz e seu papel no sistema internacional.
Embora não tenha se manifestado publicamente sobre a proposta, Lula conversou com Trump na segunda-feira (26) a quem pediu que a iniciativa inclua a Palestina e se concentre exclusivamente na guerra na Faixa de Gaza. No final da semana passada, o presidente brasileiro chegou a afirmar que Trump queria "ser dono" de uma "nova ONU".
Contato "com todos os países do mundo"
Na sexta-feira (23), o presidente chinês, Xi Jinping, também conversou por telefone sobre o assunto com Lula, e ambos concordaram em defender "o papel central" das Nações Unidas. Segundo o canal estatal CCTV, o líder chinês teria pedido que Pequim e Brasília se posicionassem "firmes do lado correto da história".
Logo depois, o presidente brasileiro afirmou que estava entrando em contato "com todos os países do mundo" para "encontrar uma forma de se reunir" e defender o sistema multilateral. Entre os líderes com quem disse ter conversado estão o presidente russo, Vladimir Putin, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum.
No telefonema desta terça-feira, Lula e Macron também discutiram a situação na Venezuela, após a incursão militar dos Estados Unidos que depôs o presidente Nicolás Maduro em 3 de janeiro. "Ao condenar o uso da força em violação ao direito internacional", ambos os líderes "concordaram a respeito da importância da paz e da estabilidade na América do Sul e no mundo", detalhou o comunicado da presidência brasileira.
A nota ainda destaca que os dois presidentes falaram sobre a cooperação bilateral entre o Brasil e a França, especialmente nos setores de defesa, ciência e tecnologia e energia. "A esse respeito, comprometeram-se a instruir suas equipes técnicas a ultimar as negociações em curso, com vista a conclusão de acordos ainda no primeiro semestre de 2026", conclui o Palácio do Planalto.
RFI com AFP