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Ao deixar Alemanha, Lula cobra reforma do Conselho de Segurança da ONU

21 abr 2026 - 13h21
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Antes de partir de Hannover, presidente volta a criticar "insensatez" da guerra dos EUA contra o Irã e diz que é preciso acabar com poder de veto em colegiado da ONU dominado por cinco potências desde 1945.Ao final da sua viagem a Hannover, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou a demanda conjunta da Alemanha e do Brasil pela ampliação do Conselho de Segurança das Nações Unidas e disse que é preciso acabar com o poder de veto no colegiado dominado por apenas cinco potências desde o final da Segunda Guerra Mundial.

Lula e o chanceler federal alemão, Friedrich Merz, em Hannover
Lula e o chanceler federal alemão, Friedrich Merz, em Hannover
Foto: DW / Deutsche Welle

"E é preciso redefinir a Carta da ONU para que a organização possa ter força para que não ocorram tantos conflitos", disse Lula nesta segunda-feira (21/04) ao deixar a cidade alemã de Hannover. A ONU hoje não representa mais aquilo para o qual ela foi criada em 1945. Você não pode ter só cinco países com assento permanente."

"É preciso inclusive acabar com o direito de veto no Conselho de Segurança da ONU. Porque com o veto nunca se toma uma decisão. Se um vetar, não acontece nada. É preciso acabar com isso porque o mundo está conflagrado", continuou Lula.

"O Conselho de Segurança da ONU precisa ser o Conselho de Segurança da Paz. Ele existe para isso, para evitar conflito, e não para causá-los", completou Lula ao deixar seu hotel na cidade alemã e seguir para última etapa da viagem, uma parada em Portugal, antes de retornar ao Brasil.

Reforma do Conselho de Segurança é antiga demanda

Nos dois primeiros mandatos de Lula, uma das prioridades da agenda externa do presidente brasileiro foi a defesa de uma ampliação e reforma substancial do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

A composição permanece inalterada há décadas, com um total de 15 membros, sendo dez rotativos e outros cinco permanentes, com estes últimos acumulando extenso poder sobre o funcionamento da ONU e prerrogativa de veto sobre decisões. Os cinco membros permanentes incluem as principais potências vencedoras da Segunda Guerra Mundial (1939-1945): EUA, Rússia, China, França e Reino Unido.

A Alemanha também defende há mais de duas décadas uma ampliação do colegiado. Em 2005, Brasil, Alemanha, Japão e Índia formularam em conjunto uma proposta de resolução para ampliar o conselho com seis novos membros permanentes, incluindo os quatro membros do grupo, conhecido como G4, e duas cadeiras para países africanos.

Para justificar sua entrada permanente no conselho, a Alemanha argumenta que o país é o quarto maior financiador da ONU e que o colegiado precisa refletir as mudanças geopolíticas que ocorreram desde 1945.

Já Lula voltou a defender a cobrar uma reforma desde que voltou ao poder em 2023, abordando o tema nas reuniões anuais da Assembleia Geral da ONU.

Lula volta a criticar guerra no Irã

Ao deixar seu hotel em Hannover e seguir para Portugal, Lula voltou a criticar a guerra lançada pelos EUA e Israel contra o Irã, que tem provocado turbulência no mercado mundial de energia. Assim como fez nos dois dias anteriores da sua estadia na Alemanha, Lula voltou a afirmar que a guerra não é necessária e lamentou que sua tentativa de atuar como mediador junto ao Irã em 2010 tenha sido rejeitada pelas potências do Ocidente.

"É a guerra da insensatez, uma guerra que não precisava ter acontecido. Os EUA são um país muito forte, não precisam ficar demonstrando força todo dia. Muito disso poderia ser resolvido sem nenhuma morte, sem nenhuma bomba, mas sentado numa mesa de negociação", disse Lula.

"Brasil e a Turquia fizeram um acordo os iranianos em 2010. Mas à época os americanos e a União Europeia não aceitaram. Então eles estão pagando o preço da insensatez de recusarem um acordo que resolvia o problema. Não quiseram aceitar, e agora estão mais uma vez discutindo de novo algo que teria sido resolvido em 2010. Por isso é a guerra da insensatez", disse Lula.

"E quem vai pagar o preço por isso é quem vai comprar carne, feijão, arroz, é o caminhoneiro que vai pagar mais caro por combustível", completou Lula. Ainda sobre os EUA, o presidente comentou brevemente a ordem de expulsão pelo governo Donald Trump de um delegado da Polícia Federal baseado em Miami.

"Saio da Alemanha feliz"

Antes de deixar Hannover nesta terça-feira, Lula ainda teve um encontro com a governadora do estado alemão de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Manuela Schwesig, que é filiada ao Partido Social-Democrata (SPD), sigla de centro-esquerda que tem relações históricas com o PT.

Depois do encontro e antes de seguir para o aeroporto, Lula fez um último balanço da sua viagem à Alemanha, que incluiu diversos encontros com o chanceler federal Friedrich Merz, assinaturas de acordos, visitas à Feira Industrial de Hannover e encontros com empresários brasileiros e alemães

Lula, que desembarcou na Alemanha no domingo, ainda participou da terceira rodada das consultas intergovernamentais de alto nível entre Brasil e Alemanha, um mecanismo de diálogo que o governo alemão mantém com poucos parceiros internacionais e que prevê reuniões regulares entre ministros.

De olho em estreitar laços políticos e econômicos em meio à turbulência mundial, os governos dos dois países também se mostraram otimistas com a entrada em vigor provisória do acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia. O chanceler federal Friedrich Merz disse esperar que o comércio entre Brasil e Alemanha dobre nos próximos anos.

"Saio da Alemanha feliz, tive uma boa reunião com o governo alemão. Acho que vai ser muito forte o entrosamento Brasil e Alemanha. A Alemanha está interessada no Brasil e vice-versa. Nós poderemos compartilhar uma unidade muito mais forte do que a que tivemos até agora, sobretudo com o começo da implementação do acordo entre o Mercosul e União Europeia", disse Lula antes de deixar Hannover.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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